RESENHA: A VIDA É MUITO CURTA - ABBY JIMENEZ

by - sexta-feira, dezembro 19, 2025


 Se você ainda não conhece a escrita da Abby Jimenez, esse pode ser um ótimo livro para começar. 

Existe algo ao mesmo tempo profundo, inquietante e confortador em como a Abby trabalha seus temas e enredos. Ela é uma autora de romance então a gente sabe que ao final tudo ficará bem, mas não será necessariamente sem percalços. A Abby sabe como a vida é e ela insere isso em suas tramas de uma forma tão natural que até mesmo quando ela se utiliza de algo que normalmente queremos esquecer que existe, ela ainda consegue trazer um senso de carinho e cuidado com o leitor. 

Nesse livro temos Vanessa Price, que ao perder a mãe e a irmã para uma doença genética antes de completarem 30 anos, decidiu viver a vida com energia e acumulou milhões de seguidores que curtiam ver suas aventuras em viagens internacionais. Só que a vida é a caixinha de surpresas que ela é, e, do nada, ela vê responsável pela filha da sua meia-irmã.

Acabaram as viagens, venham as fraldas. 

“Se você passa a vida pensando na pior coisa possível, quando ela finalmente acontecer, você terá vivido isso duas vezes.”

Nessa jornada ela vai ter a ajuda inesperada de um advogado sexy e certinho - porém encantador de bebês - seu vizinho, Adrian. E a partir daí, a Abby desenvolve melhor o tema que quis introduzir nesse livro: o medo do amanhã.

É que perder pessoas tão próximas, tão cedo, por algo tão imparável, deixou marcas em Vanessa. Ela sente que não pode se comprometer. Sente que talvez não tenha futuro. Mas ela também não tem certeza de nada: Vanessa nunca recebeu diagnóstico algum, nem tentou saber, na verdade. 

E é aí que vem minha crítica: todo o sofrimento ao qual ela se inflige e aos outros ao redor dela, principalmente Adrian (porque ela recusa as investidas dele com base nisso), seu pai e seu irmão, são com base em algo que talvez nem fosse real. Entendo a dor psicológica que a experiência dela trouxe, mas haviam meios de acabar com isso logo e ela se negava. Esse é o plot principal, eu sei. Algum conflito precisava haver e entendo a questão da resposta ao trauma, mas sinto que atrapalhou um pouco minha empatia pela personagem principal. 

“Só porque você não reconhece a luta que eles escolheram, não significa que eles não estejam lutando.”

De qualquer forma, essa questão não atrapalhou que eu aproveitasse todo o enredo da história. É um livro emocionante, que te fez pensar um pouco sobre como você mesmo faz suas escolhas e os medos que te impedem de seguir em frente. Tem momentos muito ternos, outros angustiantes e outros divertidos. É o puro suco da Abby Jimenez. 

Nota: 4/5.

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