Sinopse
Depois de perder a mãe para uma doença misteriosa, Lilia Vespertine consegue uma vaga na Universidade de Dracadia, uma instituição isolada onde espera encontrar respostas sobre a enfermidade. Mas os segredos da universidade vão muito além dos rumores de assombrações, especialmente quando ela conhece Devryck Bramwell, um patologista brilhante e professor conhecido como Doutor Morte. Entre pesquisas perturbadoras, experimentos perigosos e uma atração proibida, Lilia descobre que a verdade sobre a doença pode ser muito mais assustadora do que imaginava.
Opinião
Eu amo quando um livro entrega exatamente o que eu esperava dele, especialmente uma dark academia gótica.
Esse livro mistura romance e horror sem parecer que um dos dois está sobrando na história. E Nocticadia tem uma ambientação que me lembrou bastante a série Rastro de Sangue, da Kerri Maniscalco, o que já é um baita elogio vindo de mim. Tem autópsias, necrotérios, cadáveres, vermes, doenças misteriosas e um romance proibido acontecendo no meio dessa bagunça toda. Parece uma combinação esquisita? Talvez, mas funciona muito bem.
A história acompanha Lilia Vespertine, uma jovem que cresceu enfrentando dificuldades e decide estudar na Universidade de Dracadia, uma instituição isolada e cercada por rumores bastante perturbadores. Ela está determinada a encontrar respostas para acontecimentos que marcaram sua vida, mas acaba se envolvendo com Devryck Bramwell, um professor tão atraente quanto misterioso, que parece saber muito mais sobre os segredos daquele lugar do que está disposto a revelar.
Preciso falar do começo desse livro porque achei fantástico. Keri Lake consegue apresentar a protagonista, estabelecer os primeiros mistérios e criar uma atmosfera desconfortável logo nas páginas iniciais. A gente percebe que existe alguma coisa muito errada acontecendo e, quanto mais informações aparecem, mais perguntas surgem. Eu estava cheia de teorias e querendo descobrir como todos aqueles acontecimentos se conectavam.
E a ambientação é provavelmente o maior acerto da autora. Dracadia tem aquele clima de universidade antiga, isolada e cheia de segredos que combina muito com uma dark academia, mas o livro vai além da estética de corredores escuros e professores misteriosos. Existe um horror fÃsico muito presente na história, com descrições de autópsias, parasitas, mariposas e manifestações de uma doença que tornam algumas passagens bastante incômodas. E eu adorei isso! São cenas grotescas, mas que despertam curiosidade em vez de parecerem colocadas ali apenas para chocar.
Tudo que envolvia a toxina, a doença os efeitos dela foram especialmente interessantes para mim. Gostei de acompanhar as descobertas e de tentar entender qual era a ligação de Devryck com aquilo tudo. A autora consegue transformar elementos que poderiam ser simplesmente nojentos em peças importantes do suspense. Tem momentos em que a gente fica com um pouco de gastura lendo, mas continua porque quer saber mais. É exatamente o tipo de coisa que eu esperava encontrar quando comecei o livro.
O problema é que, depois de uma abertura tão boa, senti que o ritmo caiu um pouco. Não é que a história fique parada, porque os acontecimentos estranhos continuam e o mistério vai ganhando novas camadas. Só que existe uma diferença entre aumentar a quantidade de situações suspeitas e realmente fazer a investigação avançar. Em alguns momentos, parecia que eu estava acumulando perguntas sem receber informações suficientes para começar a montar as respostas.
Também tive dificuldade com a construção da Lilia. Ela é apresentada como uma mulher forte, decidida e que precisou aprender a se virar desde cedo. Aquela personagem com ''inteligência das ruas'', sabe? Só que demora bastante para ela começar a demonstrar essa esperteza. Algumas atitudes não combinam tanto com a personalidade que a autora havia estabelecido no inÃcio, principalmente considerando os perigos ao redor dela. Não precisava ser uma protagonista infalÃvel, mas eu esperava um pouco mais de perspicácia.
Já o romance com Devryck foi uma delÃcia. A dinâmica de professor e aluna é um daqueles clichês que dependem muito da execução, ainda mais quando estamos falando de um dark romance, mas achei que Keri Lake soube desenvolver a atração entre os dois sem apressar demais o envolvimento. Existe tensão, o relacionamento é seduzente e a proximidade vai sendo construÃda de uma maneira que me convenceu. A única coisa que achei um pouco exagerada foi a obsessão de Devryck por Lilia, que pareceu surgir quase instantaneamente. O relacionamento demora para acontecer, mas o interesse dele já começa numa intensidade que pra mim não acompanhou a apresentação do personagem.
E aà chegamos à resolução do mistério, que foi a parte que mais me deixou dividida. Gostei das respostas, principalmente de como os elementos relacionados à doença, à toxina e ao envolvimento de Devryck se encaixam na história. O problema foi a maneira como chegamos até elas. Depois de tanto tempo construindo o suspense, algumas descobertas e acontecimentos decisivos são resolvidos rápido demais. Eu esperava um desenvolvimento mais elaborado, talvez até um confronto mais marcante, e acabei achando essa parte um pouco anticlimática.
É frustrante porque o livro tinha conseguido me deixar muito curiosa. A abertura prometia uma investigação cheia de possibilidades e, mesmo a explicação final sendo satisfatória, o caminho até ela não teve todo o impacto que eu imaginava. Não acho que seja um problema de falta de ideias, muito pelo contrário. Keri Lake criou elementos bem interessantes, mas poderia ter dedicado mais tempo à conclusão. Sabe aquela correria depois de vários capÃtulos arrastando o mistério? Foi tipo isso.
Apesar dessas ressalvas, me diverti bastante com Nocticadia. É um dark romance que realmente aproveita sua ambientação gótica e não tem medo de trabalhar com elementos de horror corporal. Gostei especialmente de perceber que o mistério não existe apenas para colocar os protagonistas em situações românticas. Ele tem importância própria e, em vários momentos, foi justamente o que mais me interessou. Aliás, tem um mistério principal que envolve tudo, mas outras subtramas com cada personagem, então nesse sentido o livro nunca fica tedioso.
O final fecha bem a história principal, o que também gostei, porque não sou muito fã quando um livro enorme termina deixando todas as respostas para uma continuação. Mas a autora ainda encontrou espaço para sugerir uma possÃvel nova história envolvendo outro casal. Achei esse gancho bastante previsÃvel, confesso, mas fiquei animada mesmo assim.
No geral, Nocticadia entregou uma combinação de romance proibido, investigação e horror que funcionou muito bem comigo. Se você gosta da atmosfera de romances góticos em castelos sombrios e não se incomoda com descrições grotescas, acho que vale conhecer Dracadia. Eu certamente voltaria para uma continuação, principalmente se Keri Lake mantivesse essa mesma proposta de mistério e horror.

















