• Home
  • Resenhas
  • Colunas
    • Filmes
    • Séries
    • Top
  • Sobre
    • O Blog
    • Quem Sou Eu
  • Contato

Grazi Comenta


Sinopse

Clara sobrevive usando magia proibida até ser presa por dominar uma habilidade reservada à elite da Academia Arcana. Quando o misterioso príncipe Kaelis lhe oferece liberdade em troca de ajuda para recuperar uma poderosa carta mágica, ela se vê mergulhada em uma academia repleta de intrigas, segredos e disputas pelo poder. Entre alianças perigosas e sentimentos inesperados, Clara precisará decidir em quem confiar — inclusive em si mesma.

Resenha

“Você é de alguma forma melhor e pior do que eu jamais poderia
imaginar – tudo que eu precisava e a última coisa que eu queria.”

Alguns livros me conquistam pela originalidade, outros pela execução da premissa. Academia Arcana ficou em algum lugar entre os dois Não foi uma leitura arrebatadora, nem daquelas que me fizeram ignorar fome/sono para descobrir imediatamente o que aconteceria no próximo capítulo, mas foi uma fantasia sólida, divertida e com elementos suficientes para me deixar curiosa pela continuação.

A história acompanha Clara, uma jovem que sobreviveu boa parte da vida longe dos privilégios da elite e que acaba condenada por utilizar uma forma rara de magia associada às cartas de tarô. Quando tudo parece perdido, ela recebe uma proposta inesperada do príncipe Kaelis, diretor da Academia Arcana. Em troca de sua liberdade, Clara precisará ajudá-lo em uma missão que envolve poder, segredos políticos e uma das cartas mais importantes daquele universo.

O que mais envolve o leitor nesse livro é o sistema de magia. Faz tempo que não encontro uma fantasia que utilize cartas de forma tão central para a construção do mundo (se é que já li algum assim, não lembro de nada além de Uma Janela sombria e O Circo da Noite). Existe toda uma mitologia envolvendo os Arcanos, os diferentes tipos de cartas, seus poderes e limitações. É um conceito que chama atenção logo no início e sustenta boa parte do interesse da narrativa.

“Bem, se vou morrer de qualquer maneira, vou partir com um
bom livro nas mãos e completamente bêbada.”

As sequências dentro da Academia também funcionam bem. Sempre gostei de histórias que exploram o ambiente escolar em universos fantásticos e aqui temos aulas, treinamentos, rivalidades e disputas que ajudam a construir a atmosfera de dark academia prometida no título.

Durante a leitura, tive várias vezes a sensação de estar diante de uma mistura entre Harry Potter e Uma Janela Sombria. Não porque a história seja parecida, mas pela combinação entre uma escola de magia e um sistema mágico ligado às cartas. Nãod eu para evitar essa associação enquanto eu lia.

Ao mesmo tempo, senti que o livro sofre um pouco com o excesso de informações, que é bem comum em livros introdutórios de sagas. Esse universo da Elise Kova é um pouco complexo e acho que ela sentiu que precisava dar explicações constantes. Às vezes funciona bem, em outras, acaba metendo o freio no ritmo da narrativa. Algum momentos pareceu que a autora estava mais preocupada em apresentar as regras do mundo do que em movimentar a trama. 


“Duvido do mundo ao meu redor. Tenho medo daquilo que não posso controlar.
Mas não duvido de mim mesma e não temo a única coisa sobre a qual tenho poder: eu mesma.”

Clara também não foi uma protagonista que me conquistou completamente. Não desgostei dela, nem criei uma conexão emocional muito forte. O que não é bem uma novidade, já que sempre tive seríssimos problemas em gostar de protagonistas. Não sei até hoje como gostei da Katniss já de primeira. E a mesma coisa aconteceu com os secundários. Existem muitos personagens circulando pela narrativa e nem todos recebem desenvolvimento suficiente para se tornarem memoráveis e me fizeram perguntar qual o objetivo deles ali.

Já Kaelis cumpre bem seu papel de príncipe misterioso, carregando segredos e intenções pouco claras durante boa parte da trama. O romance entre ele e Clara segue um caminho de desconfiança, aproximação aos poucos e tensão constante. É um slow burn que funciona, mas senti falta de um pouco mais de desenvolvimento emocional antes de cenas certas.

Há um potencial da série. Academia Arcana tem a função de apresentar esse universo, estabelecer conflitos e posicionar as peças para os próximos volumes. O final deixa espaço para desdobramentos interessantes e me fez terminar o livro com vontade de saber para onde a história seguirá.

“Não importa quão escura seja a noite, me recuso a não ter esperança do amanhecer.”

No geral, foi uma leitura que gostei mais pela construção do mundo e pelas possibilidades futuras do que pelos personagens em si. Não entrou para minhas fantasias favoritas, mas também passou longe de ser uma decepção. Acho até que esse livro pode subir no meu conceito dependendo do que venha na sequência. Para quem gosta de academias mágicas, intrigas políticas, magia baseada em cartas e romances lentos, vai encontrar aqui uma leitura bastante agradável.

3,5/5 ⭐

quinta-feira, junho 18, 2026 No comments


Sinopse

Em A Trilha para o Coração, um casal que está junto desde a adolescência entra em crise e decide tentar salvar o casamento em um retiro na natureza, mas, perdidos na trilha, percebem que o maior desafio não é o caminho… e sim tudo o que ficou mal resolvido entre eles.

Sobre o enredo

A proposta aqui é bem interessante porque foge do romance tradicional: não é sobre se apaixonar, é sobre tentar não perder algo que já existe há anos.

A história mistura presente com memórias do passado, então a gente vai entendendo aos poucos como Sarah e Caleb chegaram nesse ponto. E isso funciona porque ajuda a dar mais contexto emocional e mostra que o problema não surgiu do nada.

O foco é muito mais interno do que externo. Não espere grandes reviravoltas ou drama exagerado. É um livro sobre sentimentos acumulados, inseguranças, identidade e aquele momento em que você começa a se perguntar: “quem eu sou fora desse relacionamento?”

Ao mesmo tempo, isso pode ser um ponto que divide opiniões. Pra quem gosta de histórias mais introspectivas, funciona bem. Mas se você espera mais tensão, conflito ou romance mais intenso, pode acabar achando tudo meio morno.

Minha experiência

Foi uma leitura que eu curti… mas sem me marcar tanto quanto poderia. O livro tem uma pegada bem sensível e realista sobre casamento em crise e mostra o desgaste, a rotina, as frustrações e até aquele amor que ainda existe, mas já não resolve tudo sozinho. Isso é um ponto bem positivo, porque foge de romantizar demais a situação.

Por outro lado, em vários momentos senti que a história se arrasta um pouco e que o conflito não tem tanta força quanto deveria. Fica muito tempo girando nas mesmas questões, sem avançar tanto emocionalmente quanto promete. Os personagens são interessantes, principalmente pela complexidade, mas nem sempre são fáceis de se conectar, especialmente se você não se identifica com as inseguranças da protagonista.

No fim, é aquele tipo de livro confortável, fácil de ler, com uma proposta bonita… mas que não entrega tudo o que poderia e é mais voltado a quem sente a dor que ele trabalha.

⭐ Nota: 3/5

sexta-feira, junho 12, 2026 No comments


Sinopse

Após pedir demissão do emprego que a deixou emocionalmente esgotada, Kikuko acaba indo trabalhar temporariamente em uma pequena floricultura de bairro em Tóquio. Entre arranjos florais, clientes cheios de histórias e a delicada linguagem das flores, ela começa a reconstruir aos poucos a própria vida, redescobrindo sonhos, conexões humanas e pequenas alegrias do cotidiano.

A beleza de histórias que só querem te acolher

Existe um tipo muito específico de livro japonês que parece ter sido escrito para pegar o leitor pela mão e dizer: “vai ficar tudo bem”. A Pequena Floricultura de Tóquio entra exatamente nessa categoria, a dos ''Healing Books''. Ou, como andam chamando também, ''cozy reading''.

A história acompanha Kikuko Kimina, uma jovem de 25 anos que, depois de sair de um emprego desgastante, se vê completamente perdida sobre o próprio futuro. E acho que muita gente vai se identificar com isso quase imediatamente. Aquela sensação de vazio depois do burnout, de não saber mais quem você é fora da rotina de trabalho, de perceber que talvez tenha seguido um caminho só porque parecia que aquilo era o esperado.

E aí ela conhece Rita Tojima, dona de uma pequena floricultura em Tóquio, e começa a trabalhar lá temporariamente. O que eu mais gostei no livro é que ele entende onde quer chegar, sem tentar transformar a vida da protagonista numa grande jornada épica de autodescoberta. As mudanças aqui são pequenas, silenciosas e graduais, como é na vida real.

A floricultura vira um ambiente seguro e isso aparece em tudo: nos colegas gentis, no ritmo desacelerado da narrativa, nos clientes que entram carregando dores e saem um pouco mais leves. Aos poucos, Kikuko começa a perceber que talvez ela também mereça essa leveza.

As flores têm um papel muito bonito dentro da história porque funcionam quase como uma extensão emocional dos personagens. O livro usa bastante essa linguagem simbólica das flores para falar de sentimentos difíceis de verbalizar, e isso dá uma delicadeza enorme pra narrativa sem soar artificial. Eu tava muito ansiosa para ler a parte da Cerejeira.

Também gostei de como o livro conversa com questões muito atuais: exaustão emocional, solidão urbana, insegurança profissional e a pressão constante de “ter a vida resolvida” cedo. Mas tudo isso sem cair num tom pesado, porque, claro, estamos no gênero que ter tirar esse peso de você e te trazer conforto. 

Claro que isso também significa que o livro pode não funcionar pra todo mundo. O ritmo é lento, contemplativo e sem grandes conflitos. Se você gosta de livros mais agitados, cheios de altos e baixos, não vai rolar. Aqui o foco está muito mais na atmosfera e nas pequenas transformações internas da protagonista.  E eu acho que essa é justamente a beleza dele. É um livro que termina deixando uma sensação muito específica no peito: a de que talvez a vida fique mais bonita quando a gente para de exigir tanto de si mesmo o tempo inteiro.

 Adquira o seu

sexta-feira, junho 05, 2026 No comments


Após oito (!) anos de espera, Euphoria finalmente ganhou seu fim, após a HBO confirmar que a terceira temporada realmente foi a última. E estou aqui para comentar o que achei sobre o destino dos personagens, além de dar uma opinião geral sobre o arco dessa temporada final. Escolhi esse formato porque, para mim, essa série sempre foi sobre as pessoas, não sobre o enredo. E é por isso que fiquei decepcionada. Vamos lá. 

SPOILERS A FRENTE

Nate Jacobs


Não é possivel assistir as duas primeiras temporadas e não pegar, no mínimo, ranço do Nate. Ele é violento, tóxico, complicado, ingrato, mimado e muitas outras coisas. Mas é também um grande personagem, quicá o mais interessante dentre todos. Na saudosa primeira temporada, onde os personagens têm arcos reais e são trabalhados com origem, traumas e objetivos, ele tem muitas cenas explicando de onde vêm os sentimentos conflitantes dele. Personagens complicados são ótimos de assistir. O mundo não é só preto no branco, então a ambiguidade do Nate (ainda que no espectro mal) atraía quem assistia. Porém na terceira temporada ele não teve arco algum se não o de punição e morte. Nate era uma sombra dele mesmo. Não houve qualquer diálogo significativo, ligação reforçada ou quebrada nem lição tirada do que ele passou. Pareceu mais uma história de ''olha o que você merece se você for um c*zão no ensino médio''. Não gostei de um segundo dele em tela e não pelos sentimentos das temporadas anteriores, mas sim porque aquele não era o personagem que eu queria acompanhar e muito menos a história que caberia a ele. Sinceramente? Nota 1/10 para esse arco, e a nota 1 é só porque ao menos teve finalização, ainda que insatisfatória.

Jules Vaughn




Antes uma garota trans destemida, bem resolvida, disponível para uma amizade um tanto complicada com uma pessoa mais complicada ainda, sonhadora, artística... agora uma mera nota de rodapé. Juntando todas as suas cenas, Jules teve tempo de tela de menos de meia hora (das 9h de duração). Considerando que ela era uma personagem foco, essa redução foi drástica e despropositada. Só posso achar que aconteceu com ela o mesmo que houve com a Barbie Ferreira (Kat): algum desentendimento levou a produção a querer eliminar sua personagem. Jules veio para nada, fez absolutamente nada e saiu de cena mais vazia ainda. De intenção, de objetivos, de temas, de lições. E ainda brigada com a Rue. Hunter merecia muito mais do que isso. 

Lexi Howard


Ela foi 1/2 da dupla que salvou a segunda temporada da série, finalizou em um lugar interessantíssimo para o crescimento dela e acabou a terceira temporada assim como a maioria dos outros: incompleta. Lexi não conquistou nada do que queria e só não virou put* ou criminosa como os outros porque a atriz é nepobaby e ninguém seria besta de humilhar ela. Lexi foi o estereótipo da garota virgem dos filmes: tímida, reprimida, insegura e só serve para levar os outros aos seus enredos principais. A ''melhor amiga'' para sempre (sendo justa, acho que a ausência do Fezco foi o que levou a isso). Terminou brigada com Rue, sem responder a oferta da Cassie, sem entender nada do que tava acontecendo e parecendo que não ligava muito de qualquer forma. Pelo menos era a única com uma gota de sanidade mental. 

Maddy Perez


Talvez a personagem mais cativante e magnética do elenco inteiro, ainda muito competente em fazer com que nos importemos com o que acontece com ela, mas agora ''emburrificada''. Maddy era uma garota justa, leal, inteligente, perceptiva, segura, altiva e veio para essa temporada praticamente apagada. O enredo dela é carregado pelo carisma da atriz. Sério que alguém achou de bom tom transformar ela numa caf3tina? Fazê-la entrar num acordo com um cafetã0 envolvido com tráfico de pessoas? A Maddy da primeira temporada nunca que ia dar uma mancada dessa. Ela sentiria o cheiro do perigo de longe. Ela provavelmente aconselharia a Rue a sair dessa também. Jamais que ela iria abrir a boca sobre a Rue estar envolvida com a divisão de narcóticos justamente para o chefe criminoso dela. Você pode argumentar que é só uma jovem, que comete erros. Mas a Maddy construída nas outras 16h dessa série não cometeria ESSE erro. Ninguém me convence disso. E também não se colocaria nas situações que ela passa nessa temporada, exceto, talvez, se botar em enrascada para salvar a Cassie. 

Cassie Howard


Vamos deixar de lado as polêmicas da atriz e focar na série e personagem, ok? A Cassie não era uma personagem reduzida a sua sexualidade. Era uma menina com pânico de abandono e desesperada por validação. Não só de homem. Ela queria ser amada: pela Maddy, pela família, pelos namorados, pelos colegas. Ela queria preencher o vazio dentro dela. Ela tinha um arco de desenvolvimento, ainda que desesperador e frustante. E aí aqui ela é reduzida a um token de criadores de conteúdo +18. A série nem ao menos glamuriza ou romantiza a experiência da Cassie. Só abusa da imagem dela e pronto. Não tem nenhum tipo de direção que a trama segue ou qualquer senso de aprendizado, fosse qual fosse. A trama não serve pra nada e é interrompida pela do Nate. E nunca mais volta. Cassie está como a irmã: incompleta. Só que no espectro sexual contrário. Eu gostei sim da cena surreal que faz alusão ao ataque da mulher de 15 metros. Ali foi a única parte que não achei apenas uma exploração da imagem da Sydney, mas uma referência até divertida. Mas de resto achei tudo absolutamente gratuito, apenas querendo dizer que Cassie faria de tudo para chamar atenção. Mas era essa premissa dela não é? A Cassie querer AMOR. A produção inteira esqueceu disso. Felizmente há um fechamento entre ela e a Maddy que é sim algo que faz sentido narrativo entre elas. E a atriz foi competente em todas as cenas.


Estou até agora tentando entender porque esse personagem ganhou mais tempo de tela que a galera que a gente acompanhava desde a primeira temporada (também não entendi a necessidade da história de origem do Álamo), mas estou satisfeita com o arco dele. Desde que aquele caderninho apareceu, eu senti o que iria ser escrito nele. E doeu. É o único arco bem aproveitado da série. Com começo, meio e fim. Uma pena que precisou de um brincadeira de faroeste e assassinato de personagens no meio disso. Ali é um personagem com profundidade e motivação e teve um final eficiente, ainda que triste pra caramba. 


Ruby Bennett 

Nossa narradora onisciente. A personagem que Zendaya considerada a mais important de sua carreira até agora. Uma grande presença em todas as suas cenas, dominando o ambiente, mas completamente perdida. Ficou muito claro para todo mundo assistindo qual seria o seu final (especialmente ligando ao arco do Ali). Mas depois de tanto apanhar, tanto sofrer, tanto tentar, tanto pedir, tanto entender... porque esse ainda era o final adequado para o showrunner? Rue sempre foi um tipo de exemplo, de espelho aos jovens que sofrem com o mesmo problema dela. Qual a dificuldade de deixá-la continuar sendo um raio de esperança nessa luta já extremamente triste e complicada? Se era pra matar a narradora, porque não na cena em que ela canta All for us ao final da primeira temporada? Todas acharam que aquilo era uma overdose e considerando a qualidade daquela temporada, teria sido um final muito mais digno e impactante. Mas crescer a personagem e matá-la no momento de maior lucidez de sua vida, quando ela procurou perdão e redenção, foi maldoso. Eu entendo, mas me reservo ao direito de achar péssimo. Não gostei e não acho um final corajoso. Pelo contrário, há um covardia enorme de fazer isso no seu momento de sobriedade e puxando a imagem do Fezco/Angus junto (que morreu da mesma coisa). Não achei ''lindo'' ou catártico como parte do fandom. Achei de mau gosto, ainda que a cena que levou a isso tenha sido visualmente interessante e muito bem atuada. 


No geral, minha opinião final é que foi um final medíocre dado que não finaliza os arcos de praticamente ninguém que era personagem-foco, dá mais tempo de tela aos vilões, desestruturou a trilha sonora com a ausência completa de uma das maiores contribuições para o sucesso da série (Labrinth), desestilizou os visuais, retirou tudo que fazia os personagens serem eles mesmos e entregou algo totalmente incoerente com o que construiu nas temporadas anteriores. Não achei divertido em 90% do tempo, não senti a conexão que havia com os arcos anteriores, não me senti tentada a discutir nada e ainda trabalhou bem mal o tema mais relevante que trouxe: a epimedia de fentanil que tá rolando nos EUA. 

Fico muito insatisfeita com a quantidade de finais terríveis que séries boas e promissoras andam tendo. Não sei se isso é questão de ego, falta de planejamento ou desconexão com a própria história criada, mas alguém precisa fazer alguma coisa. A indústria de séries está sofrendo. E quem assiste também. 

terça-feira, junho 02, 2026 No comments


 

Sinopse

Maggie McCabe era uma cirurgiã militar brilhante acostumada a atuar em zonas de guerra até que uma sequência de tragédias destrói sua carreira e a deixa completamente sem rumo. Quando recebe a proposta de realizar uma cirurgia secreta para clientes bilionários que exigem discrição absoluta, ela aceita achando que seria apenas mais um trabalho extremo. Mas, depois que o paciente desaparece misteriosamente ainda sob seus cuidados, Maggie se vê presa em uma trama internacional de paranoia, segredos e perseguições, precisando fugir antes que seja a próxima pessoa a sumir sem deixar rastros.

Opinião

Eu achei que iria gostar mais desse livro. A premissa tem absolutamente tudo que costuma funcionar pra mim: suspense internacional, cirurgiões envolvidos em operações obscuras, paranoia, perseguições, organizações suspeitas, bilionários misteriosos e aquele clima de “ninguém é exatamente quem parece ser”. E também é um livro escrito por um grande nome do suspense junto com uma das maiores atrizes de Hollywood, conhecida por selecionar ótimas leituras. Era o tipo de combinação que parecia impossível dar errado.

A história começa muito bem. Um médico humanitário é assassinado logo na abertura e acompanhamos a esposa dele, Maggie McCabe, uma cirurgiã militar extremamente competente que claramente está afundando emocionalmente após uma sequência de tragédias pessoais e profissionais. O interessante é que, no início, o livro brinca com a nossa percepção sobre o luto dela. Você não entende direito se Maggie aceitou a morte do marido, se tá em negação ou se existe alguma coisa muito errada acontecendo naquela narrativa. E  essa parte funciona.

“Quando você está perto da morte, é quando você se sente mais vivo.”

A atmosfera inicial tem um tom de suspense psicológico bem interessante, principalmente porque o livro parece sugerir várias possibilidades ao mesmo tempo. Aí entra toda a trama envolvendo a ONG onde eles trabalhavam, os atendimentos em zonas de guerra, os segredos do marido e essa missão suspeita na Rússia envolvendo um paciente bilionário que praticamente vive escondido do mundo. Só que quanto mais a história avança, mais rasa ela vai ficando.

O maior problema de Sem Chance de Adeus é que ele parece um thriller montado em cima de ideias legais, mas sem profundidade suficiente para sustentar tudo o que propõe. Os personagens são unidimensionais. Não existe ninguém memorável ali. Sabe aquele personagem que aparece e você já consegue prever exatamente qual será a função dele na trama? Foi minha sensação praticamente o livro inteiro. Quando surgiu o típico “motoqueiro durão” eu imediatamente pensei: “esse cara vai resolver as paradas mais pesadas”. E foi, né?

A Maggie até tinha potencial para ser uma protagonista ótima. Ela carrega traumas, culpa, impulsividade, tem um histórico nas forças armadas… mas quase nada disso é utilizado. O livro cita muito mais do que desenvolve. Em vários momentos senti que os personagens existiam apenas para movimentar a trama até a próxima revelação. Falando nisso, quase tudo é previsível.

"Isso é o que nós, humanos estúpidos, fazemos.
Carregamos as sementes da nossa própria autodestruição."

O problema nem é exatamente descobrir as reviravoltas antes do livro revelar. Suspenses podem continuar ótimos mesmo quando você percebe o caminho da narrativa. O que me incomodou foi a forma simplificada como tudo é tratado. Tem momentos envolvendo tráfico de órgãos, acesso ao círculo de bilionários, segurança internacional e operações clandestinas que parecem saídos de uma versão ''série adolescente'' desses assuntos. Faltou pesquisa, faltou complexidade e principalmente faltou verossimilhança. Algumas soluções são tão fáceis que quebram completamente a tensão. Isso é péssimo para um thriller que depende justamente da sensação de perigo constante.

Só que, mesmo com todos esses problemas, o livro ainda conseguiu me prender. Eu li rápido. Queria entender onde aquilo tudo ia dar. Existe um ritmo de leitura muito fluido e a narrativa constantemente joga novas informações para manter o leitor curioso. Então não foi uma leitura sofrível no sentido de ser impossível continuar. Foi mais aquela sensação de estar lendo algo que claramente poderia ser MUITO melhor do que realmente é. Me pareceu ter sido escrito para virar roteiro de filme. Um bom roteirista e um diretor competente podem introduzir a sensação de perigo que falta por aqui... e ninguém vai se importar com a falta de profundidade numa ação de 90 minutos. 

Sem Chance de Adeus foi uma leitura ok para mim. Não achei horrível como algumas pessoas acharam, mas também não vi nada de particularmente marcante além da premissa. Dei 3 estrelas muito mais porque o livro conseguiu manter minha atenção até o final do que pela execução da trama em si. É aquele suspense que você lê rápido, comenta algumas incoerências durante a leitura, mas provavelmente não vai lembrar de muita coisa alguns meses depois.


⭐⭐⭐/5

sexta-feira, maio 29, 2026 No comments


Sinopse

Em Seis Formas de Não Se Apaixonar, uma escritora de romance com bloqueio criativo e um ator apaixonado pelo amor fazem um acordo: testar clichês de comédias românticas… sem se envolver.

Opinião

A proposta é simples, mas muito eficiente: pegar todos aqueles clichês clássicos de romcom e transformar isso na própria estrutura da história. É quase um livro que sabe exatamente o que é e brinca com isso o tempo todo.

A dinâmica entre os protagonistas funciona muito bem. Sawyer é mais fechada, meio cética, enquanto Mason é completamente o oposto, daqueles que acreditam no amor sem medo. Esse contraste sustenta boa parte da história e rende diálogos leves, divertidos e com boa química.

O enredo não tenta ser complexo. Ele é focado na jornada dos dois, na convivência e nas situações típicas do gênero, então tudo gira em torno dessa construção do relacionamento. E isso funciona, principalmente pelo ritmo ágil e pela forma como a autora conduz as interações. É aquele romance que você pega já sabendo o que vai encontrar e ainda assim se diverte no processo.

O maior acerto está no tom: leve, bem-humorado e consciente dos próprios clichês. A história não tenta reinventar o gênero, mas usa isso a seu favor, criando uma leitura envolvente e fácil de consumir.

Os personagens são carismáticos, especialmente o protagonista masculino, que traz aquele equilíbrio perfeito entre fofo e intenso. Já a protagonista pode dividir um pouco mais opiniões, justamente por ser mais fechada, mas isso faz parte da construção dela.

Se tem um ponto mais previsível, é justamente o caminho do romance. Algumas decisões seguem o roteiro clássico do gênero, inclusive certos conflitos que não surpreendem tanto.

É um livro que funciona muito bem como romance de conforto. Não é inovador, mas entrega exatamente o que promete: diversão, química e uma história gostosa de acompanhar. E, claro, um clima delicioso de ''Como perder um homem em 10 dias''.


quinta-feira, maio 21, 2026 No comments

 


Ali Hazelwood não é um nome desconhecido no Brasil há um tempo e já temos livros publicados suficientes para fazer um ranking de respeito, então, do nada, sem motivo algum, decide fazer uma lista com 10 livros da Ali. A lista se baseia na nota média de cada livro nas maiores plataformas de leitores (Goodreads, Skoob e avaliações da Amazon) e um pouquinho de preferência pessoal. Sem mais delongas, vamos à lista:

10. Odeio te amar


9. Noiva

                                                   

8. No fundo é amor


7. Não é amor


6. Jogo de amor para dois




5. Xeque-mate


4. Um amor problemático de verão


3. A razão do amor


2. A hipótese do amor


1. Amor, teoricamente

Como seria a sua lista?
terça-feira, maio 19, 2026 No comments

Adquira o seu

Sinopse

Em O Lamento dos Rios, de Ann Liang, acompanhamos a história de Xishi, uma jovem enviada ao reino inimigo com uma missão perigosa: se infiltrar na corte, conquistar o rei e, aos poucos, destruir tudo por dentro. Entre política, vingança e alianças instáveis, a protagonista precisa lidar com o peso das próprias escolhas enquanto se vê dividida entre dever, sobrevivência e sentimentos que complicam ainda mais sua missão.

Opinião

A base da história é forte e cheia de potencial. Intriga política, espionagem, romance proibido e personagens moralmente ambíguos: é aquele combo que promete um drama intenso.

E, de certa forma, entrega. A leitura flui fácil, tem um ritmo que prende e um clima constante de tensão emocional. É aquele tipo de livro que você lê rápido, mesmo sabendo que não vai sair ilesa da experiência.

Mas existe um descompasso claro entre proposta e execução. A narrativa aposta muito mais no peso emocional do que em acontecimentos concretos: muitas cenas são carregadas de intensidade, mesmo quando pouca coisa realmente acontece. Isso pode fazer a história parecer menos dinâmica do que deveria, especialmente considerando o contexto de espionagem e queda de um reino. Eu tive esse mesmo problema com o Coroa de Ossos Dourados. 

Outro ponto importante: apesar de muita gente esperar fantasia, o livro é basicamente um reconto de mito. E isso não é um problema, na verdade é o contrário. Existe um valor enorme aqui na forma como a autora traz a antiguidade chinesa para o centro da narrativa, fugindo completamente da estética europeia que domina o gênero. É um respiro necessário e muito bem-vindo, principalmente pra quem já está saturado dos mesmos cenários medievais e mitos europeus de sempre.

''Se sua missão é seduzir o rei, então minha missão será mantê-lo seguro''

O Lamento dos Rios é uma leitura rápida, envolvente e emocionalmente densa, aquele tipo de livro que te puxa pela atmosfera e te deixa meio destruída no final. Ao mesmo tempo, ele não atinge todo o potencial que promete. Faltou desenvolver melhor os personagens, principalmente no quesito carisma. O triângulo central até tem bons elementos (inclusive com aquele clássico “vilão que rouba a cena”), mas não chega a criar um apego forte o suficiente pra sustentar todo o drama.

Ainda assim, o livro cumpre um papel muito importante: explorar uma cultura que ainda é pouco trabalhada dentro da fantasia e da ficção popular. Só por isso, já se destaca.

Arte: nohc__

domingo, maio 17, 2026 No comments
Older Posts

Sobre Mim

About Grazi

Grazielle Souza, taurina, adoro panfletar tudo que amo na internet desde 2010.

Links úteis

  • Link comissionado da Amazon
  • Siga no Instagram

Parceiro Arqueiro 2026

Parceiro Arqueiro 2026
Parceiro Arqueiro 2026

Parceiro Principis 2026

Parceiro Principis 2026
Parceiro Principis 2026

Parceiro Valentina 2026

Parceiro Valentina 2026
Parceiro Valentina 2026

Parceiro Intrínseca 2025 e 2024

Parceiro Intrínseca 2025 e 2024
Parceiro Intrínseca 2025 e 2024

Parceiro Rocco 2025

Parceiro Rocco 2025
Rocco Lover 2025

Translate

Post em Destaque

COISAS QUE SÓ LEITORES ENTENDEM

  Coisas que só leitores entendem - A vontade de comprar um livro novo é proporcional à quantidade de livros não lidos da estante. - É prová...

Mais Lidos da Semana

  • Resenha: O Mundo Perdido - Michael Crichton
  • Resenha: Fique com alguém que não tenha dúvidas - Marina Barbieri
  • Até que o Natal nos separe
  • Resenha: As Brigadas Fantasma - Scalzi está de volta!
  • Resenha:: O Enigma de Shalkas

Arquivo do Blog

Created with by ThemeXpose