Travis Keeping está vivendo a melhor temporada da carreira na Fórmula 1 quando um grave acidente na Fórmula 2 deixa Jacob Nichols, seu namorado, entre a vida e a morte. O problema é que ninguém sabe sobre o relacionamento dos dois. Enquanto Travis tenta continuar correndo como se nada tivesse acontecido, Jacob precisa lidar não só com a recuperação física, mas também com uma família extremamente controladora que faz de tudo para afastá-lo da única pessoa que realmente quer estar ao lado dele.
O começo do livro foi, de longe, minha parte favorita. Achei muito interessante a escolha da autora de começar quando o casal já está junto e separar os dois logo nas primeiras páginas. Isso cria um clima de angústia bem diferente dos romances tradicionais, porque a gente não está esperando duas pessoas se apaixonarem. A gente só quer que elas consigam se reencontrar, mas olha... acabou sendo um caminho difícil.
Gostei bastante da ambientação na Fórmula 1. Dá para perceber que a categoria faz parte da história e não está ali só como pano de fundo. As corridas aparecem na medida certa e funcionam bem até para quem não acompanha o esporte. E até meio que fez o que Heated Rivalry conseguiu: me dar vontade de assistir uma corrida. Como praticamente tudo que sai de romance esportivo hoje em dia gira em torno do hóquei, foi legal encontrar uma história explorando outro universo. O único romance de F1 que eu tinha lido antes era Amor sem Freios, então gostei dessa mudança de cenário.
Os flashbacks também funcionaram comigo. Foram justamente eles que fizeram eu acreditar no relacionamento entre Travis e Jacob. Como boa parte da história acompanha os dois separados, esses momentos ajudam a construir a conexão que existe entre eles e mostram por que vale a pena torcer pelo casal. Só que a segunda metade acabou perdendo um pouco da força para mim.
Grande parte dela acompanha o ponto de vista do Jacob, mostrando a relação complicada com a família e todo o conflito envolvendo sua sexualidade. Entendo completamente a importância dessa jornada e gostei do fato de o livro abordar terapia e crescimento pessoal. O problema é que achei essa parte arrastada. A família dele me irritou praticamente o tempo inteiro e, em alguns momentos, o próprio Jacob também. As decisões que ele toma e a dificuldade de se comunicar acabam prolongando conflitos que poderiam ter sido resolvidos de outra forma.
Foi um daqueles casos em que eu passei mais tempo frustrada com os personagens do que sofrendo por eles. Em vários momentos pensei que, se eles simplesmente conversassem, metade dos problemas não existiria. Inclusive, confesso que comecei a pensar que o Travis ficaria melhor sem o chato do Jacob mesmo.
E aí vem o final e me pareceu rápido demais. Depois de acompanhar toda a evolução do Jacob durante a separação, senti falta de ver esse novo momento do casal sendo realmente construído. Eu queria mais conversa, mais reconciliação e menos pressa para resolver tudo. Tipo, eu passo metade do livro vendo ele ser insuportável e inseguro, para depois só ver que ele ganhou um prêmio (Travis) por isso? Infelizmente a gente pensa que ele não merecia.
Ainda assim, acabei gostando da leitura. Não me conquistou tanto quanto Vermelho, Branco e Sangue Azul ou Rivalidade Ardente (e eu sou incapaz de não comparar),mas acho que quem gosta dessas histórias pode encontrar aqui uma proposta diferente, com o esporte, o tipo de romance e as personalidades construídas. Os protagonistas estão longe de serem perfeitos, cometem erros e às vezes são difíceis de defender, mas justamente por isso acabam parecendo mais humanos.
⭐ 3,5/5










