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Grazi Comenta


 

Tem filmes que fazem a gente chorar. Outros arrancam risadas quando tudo o que queremos é ficar debaixo das cobertas. E existem aqueles que lembram uma coisa importante: um término pode parecer o fim do mundo, mas também pode ser o começo de uma versão completamente nova de você.

Se você está tentando superar alguém, precisando de um abraço em forma de filme ou simplesmente procurando histórias sobre recomeços, esta lista é para você.

ALGUÉM ESPECIAL (SOMEONE GREAT)

Depois do fim de um relacionamento de nove anos, Jenny aceita o emprego dos sonhos em outra cidade e decide aproveitar seus últimos dias em Nova York ao lado das melhores amigas. Enquanto revive lembranças do namoro e tenta lidar com a saudade, ela percebe que seguir em frente não significa apagar o passado, mas fazer as pazes com ele.

MESMO SE NADA DER CERTO (BEGIN AGAIN)

Depois de uma traição e de ver a carreira desmoronar, Gretta conhece um produtor musical desacreditado. Unidos pela música, eles encontram forças para reconstruir suas vidas e descobrem que alguns finais apenas abrem espaço para novos começos.

ALTA FIDELIDADE (HIGH FIDELITY)

Após mais um término, Rob decide revisitar seus cinco relacionamentos mais marcantes para entender por que nunca consegue fazer um namoro dar certo. Entre muito humor, música e nostalgia, ele percebe que talvez o problema não estivesse apenas nas pessoas que amou.

COMO SER SOLTEIRA (HOW TO BE SINGLE)

Quatro mulheres vivem momentos completamente diferentes da vida amorosa enquanto aprendem que estar solteira também pode ser libertador. Uma comédia divertida que mostra que felicidade não depende necessariamente de estar em um relacionamento.

SOB O SOL DA TOSCANA (UNDER THE TUSCAN SUN)

Recém-divorciada, Frances compra impulsivamente uma antiga casa na Toscana durante uma viagem pela Itália. Enquanto reforma o imóvel, ela também reconstrói a própria vida e aprende que os melhores capítulos costumam surgir quando deixamos de tentar controlar tudo.

CELESTE & JESSE PARA SEMPRE

Mesmo divorciados, Celeste e Jesse insistem em manter uma amizade tão próxima que dificulta a vida dos dois. Com muito humor e sensibilidade, o filme mostra que deixar alguém ir pode ser uma das partes mais difíceis de um término.

A NOVA PAIXÃO DE STELLA (HOW STELLA GOT HER GROOVE BACK)

Durante uma viagem à Jamaica, Stella conhece um homem mais jovem e vive um romance que muda sua perspectiva sobre a vida. Mais do que uma história de amor, o filme fala sobre autoestima, coragem e a chance de recomeçar em qualquer fase da vida.

COMO SUPERAR UM FORA (SOLTERA CODICIADA)

Depois de levar um fora que vira sua vida de cabeça para baixo, María Fe transforma toda a dor em textos publicados em um blog. O sucesso inesperado das suas crônicas faz com que ela descubra que superar um término não é esquecer alguém rapidamente, mas reaprender a gostar da própria companhia.

RESSACA DE AMOR (FORGETTING SARAH MARSHALL)

Peter viaja para um resort no Havaí tentando esquecer a ex-namorada, mas descobre que ela está hospedada exatamente no mesmo lugar com o novo namorado. Entre situações constrangedoras e muito humor, ele aprende que seguir em frente exige mais do que simplesmente mudar de cenário.

COMER, REZAR, AMAR (EAT, PRAY, LOVE)

Depois de colocar um ponto final em um casamento que já não fazia sentido, Liz decide viajar pelo mundo em busca de autoconhecimento. Entre a Itália, a Índia e Bali, ela redescobre seus sonhos, aprende a se amar novamente e percebe que a felicidade pode assumir formas inesperadas.

ELE NÃO ESTÁ TÃO AFIM DE VOCÊ (HE'S JUST NOT THAT IN TO YOU)

Diversas histórias amorosas se cruzam para mostrar como insistimos em interpretar sinais que, muitas vezes, simplesmente não existem. Um filme divertido e cheio de verdades sobre reciprocidade, expectativas e a importância de aceitar quando alguém não sente o mesmo.

O SABOR DE UMA PAIXÃO (THE RAMEN GIRL)

Abandonada pelo namorado durante uma viagem ao Japão, Abby precisa aprender a recomeçar sozinha em um país completamente diferente do seu. Ao descobrir a paixão pela culinária, ela convence um experiente mestre a ensiná-la a preparar ramen. Aos poucos, percebe que cozinhar também pode ser uma forma de curar feridas e que os melhores recomeços costumam nascer quando encontramos um novo propósito.

ALÉM DOS LIMITES (LOVE&BASKETBALL)

Monica e Quincy crescem juntos dividindo o sonho de se tornarem jogadores profissionais de basquete. Ao longo dos anos, o amor entre os dois é colocado à prova por escolhas, ambições e desencontros. Um romance emocionante sobre timing, amadurecimento e segundas chances.

DE ONDE EU TE VEJO

Anos após o fim do casamento, Ana e Fábio continuam morando em prédios um de frente para o outro. Entre encontros, lembranças e novas experiências, eles revisitam a própria história e percebem que algumas relações não terminam de uma vez, mas se transformam aos poucos.

VIDAS PASSADAS (PAST LIVES)

Décadas depois de se separarem na infância, Nora reencontra o amigo que ficou na Coreia enquanto ela construía uma nova vida no outro lado do mundo. O reencontro desperta reflexões sobre destino, escolhas e os amores que continuam existindo apenas nas possibilidades que nunca viveram.

domingo, julho 19, 2026 No comments


Sinopse

Maven Blackthorn retorna à cidade onde cresceu para o funeral da avó, doze anos depois de fugir após a morte suspeita da mãe. Mas, ao chegar, descobre que o corpo da avó desapareceu, reacendendo uma antiga rivalidade entre os Blackthorn e os Croft. Enquanto tenta descobrir a verdade por trás dos segredos de sua família, Maven reencontra Ronan Croft, o homem que amou no passado e filho do principal suspeito pela morte de sua mãe. Em uma cidade cercada por mistérios, antigas maldições e acontecimentos difíceis de explicar, ela precisará decidir em quem confiar.

Opinião

Blackthorn foi uma leitura que me prendeu muito mais pela atmosfera do que pela necessidade de descobrir sobre o romance. A sinopse vende umhistória entre famílias rivais com casal de passado traumático, mas o livro vai muito além disso. Tem um suspense constante envolvendo desaparecimentos, mortes no passado, segredos familiares e uma cidade inteira que tá escondendo algo.

A história começa quando Maven Blackthorn retorna à cidade natal para o funeral da avó, doze anos depois de fugir dali. Logo na chegada, o corpo desaparece, reacendendo uma rivalidade histórica entre os Blackthorn e os Croft. No meio desse cenário está Ronan Croft, antigo amor de Maven e filho do homem que ela acredita ser responsável pela morte de sua mãe.

O que mais gostei foi justamente a sensação de não saber para onde a narrativa ia. Na maior parte do tempo, a autora brinca com a dúvida entre o sobrenatural e uma explicação racional para os acontecimentos (quem leu Pen Pal vai entender bem esse clima). Há momentos em que parece uma história de fantasmas, em outros, um suspense policial. Aí depois tudo volta a sugerir que talvez exista algo inexplicável acontecendo. Essa incerteza funciona muito bem e faz com que você não queira largar o livro. E ,sendo honesta, se você ler à noite, dá uma gasturazinha parecida com ansiedade, um medinho.

Tenho que falar da ambientação. A mansão dos Blackthorn é praticamente uma personagem da história. A cidade pequena, cercada por lendas, rivalidades antigas e personagens excêntricos, constrói um clima gótico bem legal. É aquele tipo de cenário em que qualquer corredor escuro parece esconder uma resposta ou criar mais perguntas. Me lembrou um pouco o clima das Dark Academias.

O romance entre Maven e Ronan também me convenceu. A carga emocional que vem pelo passado dos dois faz com que a tensão entre eles pareça natural. Não é apenas uma atração física, sabe? Há culpa, ressentimento, desconfiança e a sensação de que ambos carregam verdades que nunca foram completamente reveladas. E com um bom motivo para isso, sem ser aquela trope chata da falta de diálogo.

Só que também senti que a narrativa joga informações demais na finalização. Depois de passar muitos capítulos construindo o mistério, as respostas vêm quase todas de uma vez. Algumas delas funcionaram muito bem, outras me deram a impressão de que faltou mais desenvolvimento ao longo da história. O desfecho também é daqueles que acho difícil agradar todo mundo. A autora deixa espaço para interpretações diferentes e a comunidade leitora de fantasia/romance parece que tem ranço de finais ambíguos. Então acho que essa parte vai gera um debate.

Mesmo assim, achei que a experiência compensou. O livro consegue manter o interesse praticamente o tempo todo e constrói um suspense eficiente sem depender só das cenas de ação ou hots. Terminei a leitura pensando nas outras possibilidades que a história dá e não só nas respostas finais. Acho que esse era o objetivo da autora. E todo mundo sabe que esse tipo de coisa leva as pessoas a escrever fanfics :)

No fim, Blackthorn não entrou para meus favoritos do gênero, mas entregou uma combinação interessante de romance, suspense e atmosfera gótica. É uma boa indicação para quem gosta de histórias cheias de segredos familiares, rivalidades antigas e finais que deixam espaço para discussão. E tem um charme que só a Geissinger consegue imprimir nas histórias.

⭐ 3/5

domingo, julho 12, 2026 No comments


Para muitos fãs de Orgulho e Preconceito (2005), Jane Bennet e Charles Bingley são o casal mais fofo e apaixonado de Jane Austen. O que muita gente não sabe é que os atores responsáveis por interpretar esse romance já tinham vivido sua própria história de amor muito antes das câmeras começarem a gravar.

Rosamund Pike (Jane Bennet) namorou Simon Woods (Bingley) durante os anos de universidade. O relacionamento terminou antes que qualquer um dos dois alcançasse fama internacional, e cada um seguiu seu próprio caminho. Anos depois, o destino resolveu brincar de Jane Austen: ambos foram escalados para a adaptação dirigida por Joe Wrigh e justamente para ser o casal tímido da trama.

Reencontros de ex geralmente são estranhos, mas aconteceu exatamente o contrário. Sabe porque?


Após o término, Simon Woods assumiu publicamente sua sexualidade e iniciou um relacionamento com Christopher Bailey (atual diretor criativo da Burberry). Assim, ele e Rosamund permaneceram amigos próximos. Tão próximos que aceitaram interpretar um casal completamente apaixonado em uma das adaptações mais amadas da obra de Jane Austen. Eu acho essa uma das curiosidades mais divertidas dos bastidores do filme, porque tem história pregressa, reencontro, reviravolta, amizade, respeito e parceria. 

É a prova de que nem todo término precisa terminar em ressentimento. 

domingo, julho 05, 2026 No comments

 


Sinopse

Em Uma Carta de Amor ao Uísque, acompanhamos a história de Breck e Jamie, que se conhecem ainda jovens e constroem uma conexão intensa — mas no momento errado.

Entre amizades, relacionamentos com outras pessoas e escolhas mal resolvidas, os dois passam anos presos em um ciclo de aproximação e afastamento. O que existe entre eles nunca desaparece… mas também nunca acontece do jeito certo.

Opinião

“Minha mãe sempre me disse para nunca entregar meu coração a uma mulher que tivesse um melhor amigo homem, porque seu coração já não seria dela para ser dado em troca.”

Tem livros que você começa esperando só uma distração… e quando percebe já está completamente envolvida, emocionalmente destruída e incapaz de largar. Uma Carta de Amor ao Uísque foi exatamente isso pra mim. Foi uma daquelas leituras inesperadas que entregam tudo.

A história acompanha Breck (B) e Jamie ao longo de anos e esse é um ponto essencial: esse não é um romance de começo, meio e fim rápidos. É um slow burn arrastado, insistente e muitas vezes frustrante, que acompanha fases da vida, amadurecimento (ou a falta dele) e, principalmente, decisões mal tomadas. E aqui entra o grande diferencial e também o maior problema do livro: esse casal faz tudo errado.

Eles se conhecem, se conectam, mas o timing nunca funciona. Quando um está disponível, o outro não está. Quando poderiam dar certo, escolhem caminhos diferentes. E no meio disso, acabam machucando não só um ao outro, mas também pessoas ao redor. É o tipo de história que te faz pensar: eu deveria estar torcendo por eles? Porque ao mesmo tempo que existe amor também existe egoísmo, fuga, imaturidade e uma incapacidade absurda de conversar como adultos. E ainda assim funciona. Ao menos para mim.

A escrita da Kandi Steiner tem um jeito muito específico de prender. É angustiante, repetitiva em certos momentos, até caótica, mas emocionalmente viciante. Você entra naquele ciclo junto com os personagens: esperança, frustração, recaída, arrependimento… e de novo. O paralelo com o uísque não é só estético, é estrutural. Assim como a bebida, a relação deles amadurece com o tempo, muda, se intensifica, mas também vicia, intoxica e deixa marcas difíceis de apagar.

“Preciso que me dê duas coisas: hoje e algum dia.”

O livro também não esconde o lado mais físico da relação. Tem cenas quentes, sim, mas elas não são gratuitas. Elas fazem parte da construção desse vínculo bagunçado, quase dependente, onde desejo e sentimento estão completamente misturados. Eu sempre tento analisar as cenas hots do livro pela aparente necessidade delas na construção da dinâmica do casal. E aqui isso existe.

Esse livro também pode parecer repetitivo e até excessivamente dramático. Em vários momentos, dá vontade de sacudir os dois personagens e falar “chega”. Algumas decisões são difíceis de defender, e a dinâmica deles pode incomodar, especialmente pra quem não compra esse tipo de romance mais caótico e imperfeito. 

''Ela não tenta ser ideal, é sobre pessoas que se amam… mas não sabem fazer isso do jeito certo.''

Quando finalmente chega no final, depois de muita dor, erros e escolhas questionáveis, existe sim um final feliz, mas não é leve, nem perfeito. Nem acho quefosse pra ser. A sensação ainda é amarga, até os parágrafos finaos.

No fim das contas esse livro sustenta muito bem a própria metáfora que constrói: algumas pessoas são como o uísque: intensas, viciantes… e nem sempre fazem bem.

segunda-feira, junho 29, 2026 No comments

 

Algumas das melhores histórias de amor do cinema nasceram em momentos nada românticos. E talvez poucas sejam tão emblemáticas quanto a de Emma Thompson durante a produção de Razão e Sensibilidade.

Nos anos 1990, Emma Thompson e Kenneth Branagh eram considerados um dos casais mais admirados da indústria cinematográfica britânica. Talentosos, premiados e constantemente comparados à realeza cultural do Reino Unido, eles pareciam viver uma história digna das telas. Mas os bastidores contavam outra história.

Durante as filmagens de Frankenstein, dirigido e estrelado por Branagh, o ator iniciou um relacionamento com Helena Bonham Carter. Anos depois, Thompson revelou que não percebeu o que estava acontecendo enquanto o casamento se deteriorava. Em entrevistas, ela descreveu aquele período como um momento em que se sentia apenas "meio viva".

O detalhe que torna essa história ainda mais fascinante é que, enquanto enfrentava essa crise pessoal, Thompson trabalhava em uma adaptação de Razão e Sensibilidade, clássico da autora Jane Austen.

E não apenas como atriz e co protagonista da Kate Winslet, mas ela também foi responsável por escrever todo o roteiro do filme.


É impossível não imaginar o impacto que suas próprias experiências tiveram sobre a adaptação. Afinal, Razão e Sensibilidade fala justamente sobre desilusões amorosas, expectativas frustradas, amadurecimento emocional e a difícil tarefa de seguir em frente depois de uma decepção. O resultado foi extraordinário. O filme se tornou uma das adaptações mais celebradas da obra de Austen e garantiu a Emma Thompson o Oscar de Melhor Roteiro Adaptado, um feito raro para alguém que também integrava o elenco principal.

Mas a vida, às vezes, parece gostar de escrever finais alternativos, porque além de faturar um prêmio, a Emma também achou um novo par.  Durante as filmagens, Thompson conheceu Greg Wise, intérprete de Willoughby. O relacionamento entre os dois começou depois da produção e acabaria se transformando em um casamento duradouro.


Talvez seja por isso que essa história continue tão fascinante décadas depois. Porque ela reúne tudo o que amamos nos romances: coração partido, recomeços inesperados e a prova de que, às vezes, transformar dor em arte pode render muito mais do que lágrimas.

As mulheres já não choram, as mulheres faturam. 

quinta-feira, junho 25, 2026 No comments


Sinopse

Clara sobrevive usando magia proibida até ser presa por dominar uma habilidade reservada à elite da Academia Arcana. Quando o misterioso príncipe Kaelis lhe oferece liberdade em troca de ajuda para recuperar uma poderosa carta mágica, ela se vê mergulhada em uma academia repleta de intrigas, segredos e disputas pelo poder. Entre alianças perigosas e sentimentos inesperados, Clara precisará decidir em quem confiar — inclusive em si mesma.

Resenha

“Você é de alguma forma melhor e pior do que eu jamais poderia
imaginar – tudo que eu precisava e a última coisa que eu queria.”

Alguns livros me conquistam pela originalidade, outros pela execução da premissa. Academia Arcana ficou em algum lugar entre os dois Não foi uma leitura arrebatadora, nem daquelas que me fizeram ignorar fome/sono para descobrir imediatamente o que aconteceria no próximo capítulo, mas foi uma fantasia sólida, divertida e com elementos suficientes para me deixar curiosa pela continuação.

A história acompanha Clara, uma jovem que sobreviveu boa parte da vida longe dos privilégios da elite e que acaba condenada por utilizar uma forma rara de magia associada às cartas de tarô. Quando tudo parece perdido, ela recebe uma proposta inesperada do príncipe Kaelis, diretor da Academia Arcana. Em troca de sua liberdade, Clara precisará ajudá-lo em uma missão que envolve poder, segredos políticos e uma das cartas mais importantes daquele universo.

O que mais envolve o leitor nesse livro é o sistema de magia. Faz tempo que não encontro uma fantasia que utilize cartas de forma tão central para a construção do mundo (se é que já li algum assim, não lembro de nada além de Uma Janela sombria e O Circo da Noite). Existe toda uma mitologia envolvendo os Arcanos, os diferentes tipos de cartas, seus poderes e limitações. É um conceito que chama atenção logo no início e sustenta boa parte do interesse da narrativa.

“Bem, se vou morrer de qualquer maneira, vou partir com um
bom livro nas mãos e completamente bêbada.”

As sequências dentro da Academia também funcionam bem. Sempre gostei de histórias que exploram o ambiente escolar em universos fantásticos e aqui temos aulas, treinamentos, rivalidades e disputas que ajudam a construir a atmosfera de dark academia prometida no título.

Durante a leitura, tive várias vezes a sensação de estar diante de uma mistura entre Harry Potter e Uma Janela Sombria. Não porque a história seja parecida, mas pela combinação entre uma escola de magia e um sistema mágico ligado às cartas. Nãod eu para evitar essa associação enquanto eu lia.

Ao mesmo tempo, senti que o livro sofre um pouco com o excesso de informações, que é bem comum em livros introdutórios de sagas. Esse universo da Elise Kova é um pouco complexo e acho que ela sentiu que precisava dar explicações constantes. Às vezes funciona bem, em outras, acaba metendo o freio no ritmo da narrativa. Algum momentos pareceu que a autora estava mais preocupada em apresentar as regras do mundo do que em movimentar a trama. 


“Duvido do mundo ao meu redor. Tenho medo daquilo que não posso controlar.
Mas não duvido de mim mesma e não temo a única coisa sobre a qual tenho poder: eu mesma.”

Clara também não foi uma protagonista que me conquistou completamente. Não desgostei dela, nem criei uma conexão emocional muito forte. O que não é bem uma novidade, já que sempre tive seríssimos problemas em gostar de protagonistas. Não sei até hoje como gostei da Katniss já de primeira. E a mesma coisa aconteceu com os secundários. Existem muitos personagens circulando pela narrativa e nem todos recebem desenvolvimento suficiente para se tornarem memoráveis e me fizeram perguntar qual o objetivo deles ali.

Já Kaelis cumpre bem seu papel de príncipe misterioso, carregando segredos e intenções pouco claras durante boa parte da trama. O romance entre ele e Clara segue um caminho de desconfiança, aproximação aos poucos e tensão constante. É um slow burn que funciona, mas senti falta de um pouco mais de desenvolvimento emocional antes de cenas certas.

Há um potencial da série. Academia Arcana tem a função de apresentar esse universo, estabelecer conflitos e posicionar as peças para os próximos volumes. O final deixa espaço para desdobramentos interessantes e me fez terminar o livro com vontade de saber para onde a história seguirá.

“Não importa quão escura seja a noite, me recuso a não ter esperança do amanhecer.”

No geral, foi uma leitura que gostei mais pela construção do mundo e pelas possibilidades futuras do que pelos personagens em si. Não entrou para minhas fantasias favoritas, mas também passou longe de ser uma decepção. Acho até que esse livro pode subir no meu conceito dependendo do que venha na sequência. Para quem gosta de academias mágicas, intrigas políticas, magia baseada em cartas e romances lentos, vai encontrar aqui uma leitura bastante agradável.

3,5/5 ⭐

quinta-feira, junho 18, 2026 No comments


Sinopse

Em A Trilha para o Coração, um casal que está junto desde a adolescência entra em crise e decide tentar salvar o casamento em um retiro na natureza, mas, perdidos na trilha, percebem que o maior desafio não é o caminho… e sim tudo o que ficou mal resolvido entre eles.

Sobre o enredo

A proposta aqui é bem interessante porque foge do romance tradicional: não é sobre se apaixonar, é sobre tentar não perder algo que já existe há anos.

A história mistura presente com memórias do passado, então a gente vai entendendo aos poucos como Sarah e Caleb chegaram nesse ponto. E isso funciona porque ajuda a dar mais contexto emocional e mostra que o problema não surgiu do nada.

O foco é muito mais interno do que externo. Não espere grandes reviravoltas ou drama exagerado. É um livro sobre sentimentos acumulados, inseguranças, identidade e aquele momento em que você começa a se perguntar: “quem eu sou fora desse relacionamento?”

Ao mesmo tempo, isso pode ser um ponto que divide opiniões. Pra quem gosta de histórias mais introspectivas, funciona bem. Mas se você espera mais tensão, conflito ou romance mais intenso, pode acabar achando tudo meio morno.

Minha experiência

Foi uma leitura que eu curti… mas sem me marcar tanto quanto poderia. O livro tem uma pegada bem sensível e realista sobre casamento em crise e mostra o desgaste, a rotina, as frustrações e até aquele amor que ainda existe, mas já não resolve tudo sozinho. Isso é um ponto bem positivo, porque foge de romantizar demais a situação.

Por outro lado, em vários momentos senti que a história se arrasta um pouco e que o conflito não tem tanta força quanto deveria. Fica muito tempo girando nas mesmas questões, sem avançar tanto emocionalmente quanto promete. Os personagens são interessantes, principalmente pela complexidade, mas nem sempre são fáceis de se conectar, especialmente se você não se identifica com as inseguranças da protagonista.

No fim, é aquele tipo de livro confortável, fácil de ler, com uma proposta bonita… mas que não entrega tudo o que poderia e é mais voltado a quem sente a dor que ele trabalha.

⭐ Nota: 3/5

sexta-feira, junho 12, 2026 No comments


Sinopse

Após pedir demissão do emprego que a deixou emocionalmente esgotada, Kikuko acaba indo trabalhar temporariamente em uma pequena floricultura de bairro em Tóquio. Entre arranjos florais, clientes cheios de histórias e a delicada linguagem das flores, ela começa a reconstruir aos poucos a própria vida, redescobrindo sonhos, conexões humanas e pequenas alegrias do cotidiano.

A beleza de histórias que só querem te acolher

Existe um tipo muito específico de livro japonês que parece ter sido escrito para pegar o leitor pela mão e dizer: “vai ficar tudo bem”. A Pequena Floricultura de Tóquio entra exatamente nessa categoria, a dos ''Healing Books''. Ou, como andam chamando também, ''cozy reading''.

A história acompanha Kikuko Kimina, uma jovem de 25 anos que, depois de sair de um emprego desgastante, se vê completamente perdida sobre o próprio futuro. E acho que muita gente vai se identificar com isso quase imediatamente. Aquela sensação de vazio depois do burnout, de não saber mais quem você é fora da rotina de trabalho, de perceber que talvez tenha seguido um caminho só porque parecia que aquilo era o esperado.

E aí ela conhece Rita Tojima, dona de uma pequena floricultura em Tóquio, e começa a trabalhar lá temporariamente. O que eu mais gostei no livro é que ele entende onde quer chegar, sem tentar transformar a vida da protagonista numa grande jornada épica de autodescoberta. As mudanças aqui são pequenas, silenciosas e graduais, como é na vida real.

A floricultura vira um ambiente seguro e isso aparece em tudo: nos colegas gentis, no ritmo desacelerado da narrativa, nos clientes que entram carregando dores e saem um pouco mais leves. Aos poucos, Kikuko começa a perceber que talvez ela também mereça essa leveza.

As flores têm um papel muito bonito dentro da história porque funcionam quase como uma extensão emocional dos personagens. O livro usa bastante essa linguagem simbólica das flores para falar de sentimentos difíceis de verbalizar, e isso dá uma delicadeza enorme pra narrativa sem soar artificial. Eu tava muito ansiosa para ler a parte da Cerejeira.

Também gostei de como o livro conversa com questões muito atuais: exaustão emocional, solidão urbana, insegurança profissional e a pressão constante de “ter a vida resolvida” cedo. Mas tudo isso sem cair num tom pesado, porque, claro, estamos no gênero que ter tirar esse peso de você e te trazer conforto. 

Claro que isso também significa que o livro pode não funcionar pra todo mundo. O ritmo é lento, contemplativo e sem grandes conflitos. Se você gosta de livros mais agitados, cheios de altos e baixos, não vai rolar. Aqui o foco está muito mais na atmosfera e nas pequenas transformações internas da protagonista.  E eu acho que essa é justamente a beleza dele. É um livro que termina deixando uma sensação muito específica no peito: a de que talvez a vida fique mais bonita quando a gente para de exigir tanto de si mesmo o tempo inteiro.

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sexta-feira, junho 05, 2026 No comments
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