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Grazi Comenta


Após oito (!) anos de espera, Euphoria finalmente ganhou seu fim, após a HBO confirmar que a terceira temporada realmente foi a última. E estou aqui para comentar o que achei sobre o destino dos personagens, além de dar uma opinião geral sobre o arco dessa temporada final. Escolhi esse formato porque, para mim, essa série sempre foi sobre as pessoas, não sobre o enredo. E é por isso que fiquei decepcionada. Vamos lá. 

SPOILERS A FRENTE

Nate Jacobs


Não é possivel assistir as duas primeiras temporadas e não pegar, no mínimo, ranço do Nate. Ele é violento, tóxico, complicado, ingrato, mimado e muitas outras coisas. Mas é também um grande personagem, quicá o mais interessante dentre todos. Na saudosa primeira temporada, onde os personagens têm arcos reais e são trabalhados com origem, traumas e objetivos, ele tem muitas cenas explicando de onde vêm os sentimentos conflitantes dele. Personagens complicados são ótimos de assistir. O mundo não é só preto no branco, então a ambiguidade do Nate (ainda que no espectro mal) atraía quem assistia. Porém na terceira temporada ele não teve arco algum se não o de punição e morte. Nate era uma sombra dele mesmo. Não houve qualquer diálogo significativo, ligação reforçada ou quebrada nem lição tirada do que ele passou. Pareceu mais uma história de ''olha o que você merece se você for um c*zão no ensino médio''. Não gostei de um segundo dele em tela e não pelos sentimentos das temporadas anteriores, mas sim porque aquele não era o personagem que eu queria acompanhar e muito menos a história que caberia a ele. Sinceramente? Nota 1/10 para esse arco, e a nota 1 é só porque ao menos teve finalização, ainda que insatisfatória.

Jules Vaughn




Antes uma garota trans destemida, bem resolvida, disponível para uma amizade um tanto complicada com uma pessoa mais complicada ainda, sonhadora, artística... agora uma mera nota de rodapé. Juntando todas as suas cenas, Jules teve tempo de tela de menos de meia hora (das 9h de duração). Considerando que ela era uma personagem foco, essa redução foi drástica e despropositada. Só posso achar que aconteceu com ela o mesmo que houve com a Barbie Ferreira (Kat): algum desentendimento levou a produção a querer eliminar sua personagem. Jules veio para nada, fez absolutamente nada e saiu de cena mais vazia ainda. De intenção, de objetivos, de temas, de lições. E ainda brigada com a Rue. Hunter merecia muito mais do que isso. 

Lexi Howard


Ela foi 1/2 da dupla que salvou a segunda temporada da série, finalizou em um lugar interessantíssimo para o crescimento dela e acabou a terceira temporada assim como a maioria dos outros: incompleta. Lexi não conquistou nada do que queria e só não virou put* ou criminosa como os outros porque a atriz é nepobaby e ninguém seria besta de humilhar ela. Lexi foi o estereótipo da garota virgem dos filmes: tímida, reprimida, insegura e só serve para levar os outros aos seus enredos principais. A ''melhor amiga'' para sempre (sendo justa, acho que a ausência do Fezco foi o que levou a isso). Terminou brigada com Rue, sem responder a oferta da Cassie, sem entender nada do que tava acontecendo e parecendo que não ligava muito de qualquer forma. Pelo menos era a única com uma gota de sanidade mental. 

Maddy Perez


Talvez a personagem mais cativante e magnética do elenco inteiro, ainda muito competente em fazer com que nos importemos com o que acontece com ela, mas agora ''emburrificada''. Maddy era uma garota justa, leal, inteligente, perceptiva, segura, altiva e veio para essa temporada praticamente apagada. O enredo dela é carregado pelo carisma da atriz. Sério que alguém achou de bom tom transformar ela numa caf3tina? Fazê-la entrar num acordo com um cafetã0 envolvido com tráfico de pessoas? A Maddy da primeira temporada nunca que ia dar uma mancada dessa. Ela sentiria o cheiro do perigo de longe. Ela provavelmente aconselharia a Rue a sair dessa também. Jamais que ela iria abrir a boca sobre a Rue estar envolvida com a divisão de narcóticos justamente para o chefe criminoso dela. Você pode argumentar que é só uma jovem, que comete erros. Mas a Maddy construída nas outras 16h dessa série não cometeria ESSE erro. Ninguém me convence disso. E também não se colocaria nas situações que ela passa nessa temporada, exceto, talvez, se botar em enrascada para salvar a Cassie. 

Cassie Howard


Vamos deixar de lado as polêmicas da atriz e focar na série e personagem, ok? A Cassie não era uma personagem reduzida a sua sexualidade. Era uma menina com pânico de abandono e desesperada por validação. Não só de homem. Ela queria ser amada: pela Maddy, pela família, pelos namorados, pelos colegas. Ela queria preencher o vazio dentro dela. Ela tinha um arco de desenvolvimento, ainda que desesperador e frustante. E aí aqui ela é reduzida a um token de criadores de conteúdo +18. A série nem ao menos glamuriza ou romantiza a experiência da Cassie. Só abusa da imagem dela e pronto. Não tem nenhum tipo de direção que a trama segue ou qualquer senso de aprendizado, fosse qual fosse. A trama não serve pra nada e é interrompida pela do Nate. E nunca mais volta. Cassie está como a irmã: incompleta. Só que no espectro sexual contrário. Eu gostei sim da cena surreal que faz alusão ao ataque da mulher de 15 metros. Ali foi a única parte que não achei apenas uma exploração da imagem da Sydney, mas uma referência até divertida. Mas de resto achei tudo absolutamente gratuito, apenas querendo dizer que Cassie faria de tudo para chamar atenção. Mas era essa premissa dela não é? A Cassie querer AMOR. A produção inteira esqueceu disso. Felizmente há um fechamento entre ela e a Maddy que é sim algo que faz sentido narrativo entre elas. E a atriz foi competente em todas as cenas.


Estou até agora tentando entender porque esse personagem ganhou mais tempo de tela que a galera que a gente acompanhava desde a primeira temporada (também não entendi a necessidade da história de origem do Álamo), mas estou satisfeita com o arco dele. Desde que aquele caderninho apareceu, eu senti o que iria ser escrito nele. E doeu. É o único arco bem aproveitado da série. Com começo, meio e fim. Uma pena que precisou de um brincadeira de faroeste e assassinato de personagens no meio disso. Ali é um personagem com profundidade e motivação e teve um final eficiente, ainda que triste pra caramba. 


Ruby Bennett 

Nossa narradora onisciente. A personagem que Zendaya considerada a mais important de sua carreira até agora. Uma grande presença em todas as suas cenas, dominando o ambiente, mas completamente perdida. Ficou muito claro para todo mundo assistindo qual seria o seu final (especialmente ligando ao arco do Ali). Mas depois de tanto apanhar, tanto sofrer, tanto tentar, tanto pedir, tanto entender... porque esse ainda era o final adequado para o showrunner? Rue sempre foi um tipo de exemplo, de espelho aos jovens que sofrem com o mesmo problema dela. Qual a dificuldade de deixá-la continuar sendo um raio de esperança nessa luta já extremamente triste e complicada? Se era pra matar a narradora, porque não na cena em que ela canta All for us ao final da primeira temporada? Todas acharam que aquilo era uma overdose e considerando a qualidade daquela temporada, teria sido um final muito mais digno e impactante. Mas crescer a personagem e matá-la no momento de maior lucidez de sua vida, quando ela procurou perdão e redenção, foi maldoso. Eu entendo, mas me reservo ao direito de achar péssimo. Não gostei e não acho um final corajoso. Pelo contrário, há um covardia enorme de fazer isso no seu momento de sobriedade e puxando a imagem do Fezco/Angus junto (que morreu da mesma coisa). Não achei ''lindo'' ou catártico como parte do fandom. Achei de mau gosto, ainda que a cena que levou a isso tenha sido visualmente interessante e muito bem atuada. 


No geral, minha opinião final é que foi um final medíocre dado que não finaliza os arcos de praticamente ninguém que era personagem-foco, dá mais tempo de tela aos vilões, desestruturou a trilha sonora com a ausência completa de uma das maiores contribuições para o sucesso da série (Labrinth), desestilizou os visuais, retirou tudo que fazia os personagens serem eles mesmos e entregou algo totalmente incoerente com o que construiu nas temporadas anteriores. Não achei divertido em 90% do tempo, não senti a conexão que havia com os arcos anteriores, não me senti tentada a discutir nada e ainda trabalhou bem mal o tema mais relevante que trouxe: a epimedia de fentanil que tá rolando nos EUA. 

Fico muito insatisfeita com a quantidade de finais terríveis que séries boas e promissoras andam tendo. Não sei se isso é questão de ego, falta de planejamento ou desconexão com a própria história criada, mas alguém precisa fazer alguma coisa. A indústria de séries está sofrendo. E quem assiste também. 

terça-feira, junho 02, 2026 No comments


 

Sinopse

Maggie McCabe era uma cirurgiã militar brilhante acostumada a atuar em zonas de guerra até que uma sequência de tragédias destrói sua carreira e a deixa completamente sem rumo. Quando recebe a proposta de realizar uma cirurgia secreta para clientes bilionários que exigem discrição absoluta, ela aceita achando que seria apenas mais um trabalho extremo. Mas, depois que o paciente desaparece misteriosamente ainda sob seus cuidados, Maggie se vê presa em uma trama internacional de paranoia, segredos e perseguições, precisando fugir antes que seja a próxima pessoa a sumir sem deixar rastros.

Opinião

Eu achei que iria gostar mais desse livro. A premissa tem absolutamente tudo que costuma funcionar pra mim: suspense internacional, cirurgiões envolvidos em operações obscuras, paranoia, perseguições, organizações suspeitas, bilionários misteriosos e aquele clima de “ninguém é exatamente quem parece ser”. E também é um livro escrito por um grande nome do suspense junto com uma das maiores atrizes de Hollywood, conhecida por selecionar ótimas leituras. Era o tipo de combinação que parecia impossível dar errado.

A história começa muito bem. Um médico humanitário é assassinado logo na abertura e acompanhamos a esposa dele, Maggie McCabe, uma cirurgiã militar extremamente competente que claramente está afundando emocionalmente após uma sequência de tragédias pessoais e profissionais. O interessante é que, no início, o livro brinca com a nossa percepção sobre o luto dela. Você não entende direito se Maggie aceitou a morte do marido, se tá em negação ou se existe alguma coisa muito errada acontecendo naquela narrativa. E  essa parte funciona.

“Quando você está perto da morte, é quando você se sente mais vivo.”

A atmosfera inicial tem um tom de suspense psicológico bem interessante, principalmente porque o livro parece sugerir várias possibilidades ao mesmo tempo. Aí entra toda a trama envolvendo a ONG onde eles trabalhavam, os atendimentos em zonas de guerra, os segredos do marido e essa missão suspeita na Rússia envolvendo um paciente bilionário que praticamente vive escondido do mundo. Só que quanto mais a história avança, mais rasa ela vai ficando.

O maior problema de Sem Chance de Adeus é que ele parece um thriller montado em cima de ideias legais, mas sem profundidade suficiente para sustentar tudo o que propõe. Os personagens são unidimensionais. Não existe ninguém memorável ali. Sabe aquele personagem que aparece e você já consegue prever exatamente qual será a função dele na trama? Foi minha sensação praticamente o livro inteiro. Quando surgiu o típico “motoqueiro durão” eu imediatamente pensei: “esse cara vai resolver as paradas mais pesadas”. E foi, né?

A Maggie até tinha potencial para ser uma protagonista ótima. Ela carrega traumas, culpa, impulsividade, tem um histórico nas forças armadas… mas quase nada disso é utilizado. O livro cita muito mais do que desenvolve. Em vários momentos senti que os personagens existiam apenas para movimentar a trama até a próxima revelação. Falando nisso, quase tudo é previsível.

"Isso é o que nós, humanos estúpidos, fazemos.
Carregamos as sementes da nossa própria autodestruição."

O problema nem é exatamente descobrir as reviravoltas antes do livro revelar. Suspenses podem continuar ótimos mesmo quando você percebe o caminho da narrativa. O que me incomodou foi a forma simplificada como tudo é tratado. Tem momentos envolvendo tráfico de órgãos, acesso ao círculo de bilionários, segurança internacional e operações clandestinas que parecem saídos de uma versão ''série adolescente'' desses assuntos. Faltou pesquisa, faltou complexidade e principalmente faltou verossimilhança. Algumas soluções são tão fáceis que quebram completamente a tensão. Isso é péssimo para um thriller que depende justamente da sensação de perigo constante.

Só que, mesmo com todos esses problemas, o livro ainda conseguiu me prender. Eu li rápido. Queria entender onde aquilo tudo ia dar. Existe um ritmo de leitura muito fluido e a narrativa constantemente joga novas informações para manter o leitor curioso. Então não foi uma leitura sofrível no sentido de ser impossível continuar. Foi mais aquela sensação de estar lendo algo que claramente poderia ser MUITO melhor do que realmente é. Me pareceu ter sido escrito para virar roteiro de filme. Um bom roteirista e um diretor competente podem introduzir a sensação de perigo que falta por aqui... e ninguém vai se importar com a falta de profundidade numa ação de 90 minutos. 

Sem Chance de Adeus foi uma leitura ok para mim. Não achei horrível como algumas pessoas acharam, mas também não vi nada de particularmente marcante além da premissa. Dei 3 estrelas muito mais porque o livro conseguiu manter minha atenção até o final do que pela execução da trama em si. É aquele suspense que você lê rápido, comenta algumas incoerências durante a leitura, mas provavelmente não vai lembrar de muita coisa alguns meses depois.


⭐⭐⭐/5

sexta-feira, maio 29, 2026 No comments


Sinopse

Em Seis Formas de Não Se Apaixonar, uma escritora de romance com bloqueio criativo e um ator apaixonado pelo amor fazem um acordo: testar clichês de comédias românticas… sem se envolver.

Opinião

A proposta é simples, mas muito eficiente: pegar todos aqueles clichês clássicos de romcom e transformar isso na própria estrutura da história. É quase um livro que sabe exatamente o que é e brinca com isso o tempo todo.

A dinâmica entre os protagonistas funciona muito bem. Sawyer é mais fechada, meio cética, enquanto Mason é completamente o oposto, daqueles que acreditam no amor sem medo. Esse contraste sustenta boa parte da história e rende diálogos leves, divertidos e com boa química.

O enredo não tenta ser complexo. Ele é focado na jornada dos dois, na convivência e nas situações típicas do gênero, então tudo gira em torno dessa construção do relacionamento. E isso funciona, principalmente pelo ritmo ágil e pela forma como a autora conduz as interações. É aquele romance que você pega já sabendo o que vai encontrar e ainda assim se diverte no processo.

O maior acerto está no tom: leve, bem-humorado e consciente dos próprios clichês. A história não tenta reinventar o gênero, mas usa isso a seu favor, criando uma leitura envolvente e fácil de consumir.

Os personagens são carismáticos, especialmente o protagonista masculino, que traz aquele equilíbrio perfeito entre fofo e intenso. Já a protagonista pode dividir um pouco mais opiniões, justamente por ser mais fechada, mas isso faz parte da construção dela.

Se tem um ponto mais previsível, é justamente o caminho do romance. Algumas decisões seguem o roteiro clássico do gênero, inclusive certos conflitos que não surpreendem tanto.

É um livro que funciona muito bem como romance de conforto. Não é inovador, mas entrega exatamente o que promete: diversão, química e uma história gostosa de acompanhar. E, claro, um clima delicioso de ''Como perder um homem em 10 dias''.


quinta-feira, maio 21, 2026 No comments

 


Ali Hazelwood não é um nome desconhecido no Brasil há um tempo e já temos livros publicados suficientes para fazer um ranking de respeito, então, do nada, sem motivo algum, decide fazer uma lista com 10 livros da Ali. A lista se baseia na nota média de cada livro nas maiores plataformas de leitores (Goodreads, Skoob e avaliações da Amazon) e um pouquinho de preferência pessoal. Sem mais delongas, vamos à lista:

10. Odeio te amar


9. Noiva

                                                   

8. No fundo é amor


7. Não é amor


6. Jogo de amor para dois




5. Xeque-mate


4. Um amor problemático de verão


3. A razão do amor


2. A hipótese do amor


1. Amor, teoricamente

Como seria a sua lista?
terça-feira, maio 19, 2026 No comments

Adquira o seu

Sinopse

Em O Lamento dos Rios, de Ann Liang, acompanhamos a história de Xishi, uma jovem enviada ao reino inimigo com uma missão perigosa: se infiltrar na corte, conquistar o rei e, aos poucos, destruir tudo por dentro. Entre política, vingança e alianças instáveis, a protagonista precisa lidar com o peso das próprias escolhas enquanto se vê dividida entre dever, sobrevivência e sentimentos que complicam ainda mais sua missão.

Opinião

A base da história é forte e cheia de potencial. Intriga política, espionagem, romance proibido e personagens moralmente ambíguos: é aquele combo que promete um drama intenso.

E, de certa forma, entrega. A leitura flui fácil, tem um ritmo que prende e um clima constante de tensão emocional. É aquele tipo de livro que você lê rápido, mesmo sabendo que não vai sair ilesa da experiência.

Mas existe um descompasso claro entre proposta e execução. A narrativa aposta muito mais no peso emocional do que em acontecimentos concretos: muitas cenas são carregadas de intensidade, mesmo quando pouca coisa realmente acontece. Isso pode fazer a história parecer menos dinâmica do que deveria, especialmente considerando o contexto de espionagem e queda de um reino. Eu tive esse mesmo problema com o Coroa de Ossos Dourados. 

Outro ponto importante: apesar de muita gente esperar fantasia, o livro é basicamente um reconto de mito. E isso não é um problema, na verdade é o contrário. Existe um valor enorme aqui na forma como a autora traz a antiguidade chinesa para o centro da narrativa, fugindo completamente da estética europeia que domina o gênero. É um respiro necessário e muito bem-vindo, principalmente pra quem já está saturado dos mesmos cenários medievais e mitos europeus de sempre.

''Se sua missão é seduzir o rei, então minha missão será mantê-lo seguro''

O Lamento dos Rios é uma leitura rápida, envolvente e emocionalmente densa, aquele tipo de livro que te puxa pela atmosfera e te deixa meio destruída no final. Ao mesmo tempo, ele não atinge todo o potencial que promete. Faltou desenvolver melhor os personagens, principalmente no quesito carisma. O triângulo central até tem bons elementos (inclusive com aquele clássico “vilão que rouba a cena”), mas não chega a criar um apego forte o suficiente pra sustentar todo o drama.

Ainda assim, o livro cumpre um papel muito importante: explorar uma cultura que ainda é pouco trabalhada dentro da fantasia e da ficção popular. Só por isso, já se destaca.

Arte: nohc__

domingo, maio 17, 2026 No comments


Sinopse

Quando Mallory Greenleaf abandona o xadrez após um trauma familiar, sua vida passa a girar em torno de sobreviver: trabalhar numa oficina mecânica, pagar contas e cuidar da mãe doente e das irmãs. Mas tudo muda quando ela participa de um torneio beneficente e derrota Nolan Sawyer, o campeão mundial de xadrez — e o garoto prodígio mais famoso do circuito. Enquanto Nolan insiste em continuar jogando contra ela, Mallory tenta fugir do esporte que destruiu sua família… e da atração crescente entre os dois.

Opinião

“Xeque-mate” foi um dos livros mais agradáveis da Ali Hazelwood que li, e talvez seja porque ele não tenta parecer mais inteligente, mais profundo ou mais dramático do que realmente é. Ele entende perfeitamente o tipo de história que quer contar: um romance nerd, divertido, confortável e emocionalmente acessível. Dentro disso, funciona bem.

Depois de alternar entre livros da autora que eu amava e outros que me deixavam completamente cansada das mesmas fórmulas, eu realmente não esperava gostar tanto desse. Ainda mais porque, olhando de longe, parece “mais do mesmo”: protagonista feminina inteligente e socialmente exausta, protagonista masculino absurdamente bonito e emocionalmente obcecado, tensão construída em torno de falhas de comunicação e um nicho extremamente específico servindo de pano de fundo: dessa vez, o xadrez competitivo.

Só que aqui existe um detalhe importante: o livro tem uma energia muito mais leve e juvenil. Ainda bem!

Mallory Greenleaf não está tentando revolucionar a ciência enquanto vive um enemies to lovers corporativo, ela é uma adolescente tentando sobreviver. Trabalha numa oficina mecânica, sustenta a casa, cuida da mãe doente e das irmãs mais novas enquanto carrega um ressentimento enorme pelo xadrez e pelo próprio pai (algo que a gente vai entendendo aos poucos). O xadrez é um esporte que ela associa diretamente à destruição da própria família. Então quando ela derrota Nolan Sawyer (o atual campeão mundial) num torneio beneficente aleatório, o livro começa de verdade (e acontece logo nos primeiros capítulos).

O Nolan é exatamente aquele tipo de personagem que a Ali Hazelwood escreve tranquilamente porque ela SABE que funciona. Ele é lindo, alto em níveis quase sobrenaturais, meio fechado, direto e completamente encantado pela protagonista desde o primeiro segundo. Só que diferente de outros protagonistas masculinos da autora, aqui ele parece menos idealizado e mais divertido. O humor seco dele funciona muito bem e a dinâmica entre os dois cresce de forma gostosa justamente porque nasce de algo simples: eles genuinamente gostam de passar tempo juntos. Eles compartilham um gosto peculiar. 

Também gostei bastante do fato do livro conseguir inserir o universo do xadrez de maneira acessível. Eu não entendo absolutamente nada de xadrez além do movimento básico das peças e ainda assim fiquei envolvida pelas competições, pelos torneios, pela pressão do circuito profissional e pela forma como o esporte é tratado quase como uma linguagem emocional entre os personagens e meio que um arquiteto da personalidade deles. O livro entende que o leitor não precisa virar especialista para sentir tensão durante uma partida.

E acho que isso resume bem a experiência de leitura: Xeque-mate é muito mais sobre pessoas emocionalmente quebradas tentando se entender do que sobre xadrez em si.

A Mallory especificamente funciona melhor do que várias protagonistas anteriores da Ali porque o livro permite que ela seja desagradável às vezes (e as pessoas reagem a ela sendo desagradável, sem ficar passando pano). Ela é defensiva, impulsiva, desconfiada e irritante, mas faz sentido. Existe uma exaustão acumulada nela que torna suas reações compreensíveis. Dá vontade de sacodir ela, mas entende de onde aquilo vem. O problema é que o livro exagera muito na dinâmica familiar dela.

A doença da mãe é tratada como algo incapacitante a ponto da Mallory praticamente assumir o papel materno dentro da casa, enquanto as irmãs agem com um nível de ingratidão e alienação que parece artificial só para reforçar o sofrimento da protagonista. Em muitos momentos, os diálogos familiares não soam naturais: parecem construídos apenas para fazer Mallory carregar o peso emocional da história inteira sozinha. E quando acontece a virada emocional perto do final, ela surge rápida demais e inconsistente com o comportamento que vimos durante o resto do livro.

Ainda assim, o romance sustenta muito bem a narrativa. Nolan e Mallory funcionam porque compartilham feridas parecidas. Existe uma identificação silenciosa entre eles que deixa tudo mais convincente. E gosto que o livro não tenta transformar o Nolan num “bad boy” de verdade, apesar de ser apresentado como um jogador esquentadinho. No livro ele é só um nerd absurdamente apaixonado tentando apoiar alguém que admira e reconquistando o gosto pelo seu hobby por causa do desafio que a Mallory traz a ele.

No fim das contas, Xeque-mate não é um livro revolucionário. Não vai mudar a vida de ninguém, não reinventa romance e nem tenta fazer isso. E é por isso que eu gostei. 

4/5 ⭐


sexta-feira, maio 15, 2026 No comments


Eu vou começar sendo bem honesta: esse livro é exatamente o tipo de leitura que eu indico para quem quer conforto. Nem quando a pessoa quer ser surpreendida, nem quando quer algo inovador. Você só quer se sentir bem lendo? É esse o livro. É exatamente isso que Jogo de Amor para Dois me entregou.

A premissa é deliciosa: uma desenvolvedora nerd tendo a chance de trabalhar na adaptação de sua série favorita… junto com o cara que ela acha que odeia ela. Soma isso com um retiro de inverno, neve, isolamento e aquela vibe clássica de “presos juntos”, e pronto, já me ganhou antes mesmo de começar.

Mas aqui vai o ponto: isso NÃO é enemies to lovers.

É aquele clássico trope da Ali Hazelwood que a gente já conhece: o homem completamente apaixonado há anos, que parece distante por pura falta de comunicação. Jesse Andrews é basicamente o pacote completo: inteligente, quieto, apaixonado e… sim, o clichê “geladeira Electrolux duas portas, gostoso e nerd”. Não tem conflito real ali, só desencontro. E, sinceramente? Eu adoro.

A Viola também funciona muito bem nesse contexto. Ela é aquela protagonista fácil de gostar, meio nerd, segura, competente e com quem dá pra se identificar sem esforço. A dinâmica dos dois é gostosa, natural, cheia de química e aí quando eles finalmente engrenam… o livro acaba. E esse é o maior problema aqui.

Dá uma sensação muito clara de que essa história merecia mais espaço. Não porque falta desenvolvimento básico, já que ele existe, mas porque o casal é bom o suficiente pra sustentar algo maior. Quando a relação começa a ficar realmente interessante, mais profunda, mais envolvente… fim. E eu acho que isso tem a ver com a origem do livro.

Ele foi lançado primeiro como audiobook (o que, inclusive, explica o formato mais curto e direto) e só depois ganhou versão escrita. Dá pra sentir que ele foi pensado como uma experiência rápida, quase como um bônus e não como um romance completo dentro do padrão da autora.

Outro ponto: a escrita da Ali continua com aquele tom leve, divertido e cheio de personalidade. Funciona muito bem na leitura, mas no áudio nem sempre tem o mesmo efeito, por causa do estilo mais de diálogos e expressões dela, que são muito ligados ao pensamentos rápidos e debochados da protagonista. Eu indico a leitura e não a escuta. 

Ainda assim, a atmosfera compensa tudo. Tem neve, isolamento, tensão romântica, cenas quentes bem construídas (com consentimento muito claro) e aquela sensação constante de aconchego. É literalmente um livro pra ler enrolada numa manta, tomando alguma coisa quente e sem querer pensar muito.

No fim das contas, é isso: não é inovador, não vai virar favorito absoluto da vida, mas entrega exatamente o que promete. E eu vou reler no Natal, sem dúvidas.

quarta-feira, maio 13, 2026 No comments


Sinopse

Em Amizades Fatais, um grupo popular do colégio vira alvo de suspeitas após a morte de uma garota e, quando coisas estranhas começam a acontecer, fica claro que o passado deles pode não estar tão enterrado assim.

Opinião

A proposta mistura várias coisas que funcionam muito bem juntas: drama adolescente, mistério, personagens moralmente duvidosos e um toque de sobrenatural. É aquele tipo de história que lembra séries como Pretty Little Liars, com segredos sendo revelados aos poucos e aquela sensação constante de que tem algo errado acontecendo.

A narrativa prende bastante, principalmente pelo ritmo. Os capítulos são curtos, sempre terminam com algum gancho e te deixam com vontade de continuar. É o clássico “só mais um capítulo”.

Os personagens não são feitos pra serem amados, sabe? Todo mundo ali tem falhas, atitudes questionáveis e decisões meio duvidosas. A protagonista não é perfeita, nem fica o tendo todo sendo insuportável e dando tudo certo pra ela e isso deixa a história mais real dentro da proposta.

Ao mesmo tempo, o livro não é exatamente inovador. Algumas revelações são previsíveis e seguem um caminho já conhecido dentro do gênero. Mas o que segura a leitura é a forma como tudo é conduzido e o clima de tensão que vai crescendo até o final. Esse é um thriller jovem adulto que funciona muito bem como leitura viciante.

O maior acerto está no ritmo e na atmosfera. Tem mistério, tem drama, tem aquele clima meio caótico de grupo de adolescentes cheios de segredos. A experiência de leitura é envolvente. E o final (especialmente o epílogo) entrega aquele impacto que faz você repensar tudo o que leu. É aquele tipo de livro que você devora rápido, se envolve com o mistério e termina querendo comentar com alguém.

⭐ Nota: 4/5

sexta-feira, maio 08, 2026 No comments
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