Sinopse
Às vezes, a gente precisa saber quando parar de ler.
Eu terminei Serpente e lobo bastante empolgada com o que a Rebecca Robinson estava construindo. Gostei do romance entre Vaasa e Reid, dos mistérios envolvendo as bruxas, dos segredos da famÃlia da protagonista e de toda aquela investigação sobrenatural que dava uma identidade própria à história. Então eu esperava que a continuação aprofundasse esses elementos e desenvolvesse melhor os personagens secundários que viriam a ser importantes agora.
Mas, em vez disso, Crueldade e maldição parece querer contar umas quatro histórias diferentes ao mesmo tempo.
O livro tem menos de 500 páginas e a autora resolveu encaixar uma quantidade enorme de tramas, conspirações, disputas polÃticas e conflitos envolvendo personagens que mal tiveram espaço para serem apresentados, nem no primeiro nem agora. O resultado é uma narrativa que perde o foco constantemente e não consegue desenvolver direito praticamente nenhum desses núcleos.
O que mais me tirou da empolgação foi o afastamento do romance. A relação entre Vaasa e Reid era uma das partes mais fortes do primeiro livro, e eu esperava que continuasse ocupando um espaço importante na história. Só que o casal acaba dividindo a atenção com tantas outras questões que o relacionamento perde boa parte do protagonismo, sem falar que eles ficam separados em 80% do tempo e me pareceu que foi só para cumprir a obrigação de toda romantasia de agora que precisa separar o casal nos livros 2 ou 3.
Eu também esperava mais da investigação sobrenatural. A série se chama Herança Sombria, né? E tinha muita coisa interessante para explorar: o clã das bruxas, os segredos da mãe de Vaasa, o envolvimento da mãe de Reid e as consequências de tudo aquilo que descobrimos no primeiro volume. Só que esses elementos aparecem com mais força apenas da metade para o final, quando já não tem espaço suficiente para desenvolver as coisas como elas merecem.
Só que ao invés disso ganhamos uma trama polÃtica que achei rasa e bastante cansativa, além de um vilão que não conseguiu me convencer. Não senti carisma, urgência ou uma ameaça que justificasse tanto espaço dedicado aos seus planos. Para piorar, o livro ainda introduz uma disputa de forças divinas que me deu aquela sensação de conflito acrescentado apenas para tornar a história maior e mais grandiosa. Foi uma escolha que me lembrou bastante o que me incomodou na extensão forçada de Sangue e Cinzas.
E olha que caminhos mais interessantes até tinham. O irmão de Vaasa, por exemplo, teria sido um antagonista muito mais instigante. O núcleo dos piratas foi disparado o que mais gostei e merecia muito mais espaço.
Tenho a impressão de que a autora tentou expandir uma história que funcionaria melhor se tivesse sido desenvolvida com mais calma. O tipo de enredo que ela quis construir aqui daria tranquilamente para outros dois livros, com diferentes pontos de vista e tempo suficiente para que os personagens e conflitos ganhassem profundidade. Em vez disso, recebemos uma sequência de acontecimentos apressados, que parecem disputar espaço entre si.
Ainda foi uma leitura razoável porque gosto dos protagonistas e a sequência final é eletrizante. Mas terminei sem aquela gana de continuar a série. Talvez eu tenha me empolgado demais com o primeiro livro, mas sinto que a história está indo para um caminho bem diferente do que me conquistou. Aliás, preciso comentar: levei mais de dois meses para terminar esse livro.
Eu esperava algo no estilo ''A ponte entre reinos'' mas Crueldade e maldição me passou muito a impressão de um livro de transição, daqueles que tentam justificar a extensão de uma série mesmo quando a premissa original não comporta tanta coisa. Foi exatamente o tipo de sensação que tive com a saga Blood and Ash, e não é uma experiência que eu queira repetir.
Nota: 2,5/⭐










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