Andrew sempre encontrou refúgio nos contos de fadas sombrios que escreve ao lado do melhor amigo, Thomas. Mas, quando Thomas começa a agir de forma estranha e seus desenhos de monstros passam a ganhar vida, os dois precisam enfrentar criaturas cada vez mais perigosas escondidas na floresta proibida da escola. Enquanto tentam impedir novas mortes, sentimentos antigos e segredos difÃceis de aceitar tornam a batalha ainda mais complicada.
Opinião
A história acompanha Andrew, um adolescente extremamente ansioso, que sempre encontrou conforto escrevendo contos sombrios e dividindo esse universo com Thomas, seu melhor amigo. Quando eles retornam para a Academia Wickwood, Andrew percebe que alguma coisa mudou. Thomas está distante, aparece com sangue nas roupas, seus pais desapareceram e ele passa todas as noites entrando escondido na floresta proibida. É quando Andrew resolve segui-lo e descobre que os monstros criados pelos dois realmente existem.
O que mais gostei foi justamente esse clima constante de estranheza. A floresta parece viva, os corredores da escola carregam aquela sensação de que alguma coisa ruim está prestes a acontecer e os próprios contos escritos por Andrew vão se misturando com a realidade. É um livro que lembra muito aquelas histórias de terror gótico voltadas para o público jovem, mas sem deixar de lado cenas bem perturbadoras. Tem body horror, criaturas grotescas e algumas descrições que conseguem causar um desconforto gostoso de sentir. É exatamente o tipo de leitura que eu indicaria para outubro, perto do Halloween, ou para um clube do livro, já que seria bem legal discutir teorias e aproveitar o ar de Dark academia.
Também gostei bastante da relação entre Andrew e Thomas. O romance existe, mas ele nunca parece maior do que o restante da história. A amizade entre os dois já nasce carregada de dependência emocional, confiança e culpa, então quando os sentimentos começam a aparecer, tudo parece bastante natural. Em alguns momentos eu só queria entrar no livro e mandar os dois conversarem de uma vez.
Ao mesmo tempo, achei que o livro é bem juvenil. Isso não me incomodou durante a leitura porque combina com a idade dos personagens, mas algumas decisões deles acabam existindo justamente para manter o mistério funcionando. Em certos momentos fiquei pensando que metade dos problemas seria resolvida se eles simplesmente pedissem ajuda para algum adulto. Como acontece em boa parte dos YA, a narrativa precisa que isso não aconteça para dar certo. Só que isso torna a trama menos ''lúcida''.
Sobre a escrita: a autora gosta de uma narração bastante descritiva, cheia de metáforas e imagens quase poéticas. Em muitos momentos achei isso lindo e ajudou demais a criar a atmosfera de pesadelo. Em outros, senti que algumas ideias acabavam sendo repetidas mais vezes do que precisavam. Não fiquei cansada, mas vai ter quem ache esse tipo de escrita um pouco exagerada.
Já o suspense funciona bem. Mesmo desconfiando de algumas revelações antes delas acontecerem, eu queria continuar lendo para entender como tudo seria explicado. A história consegue equilibrar fantasia, horror psicológico e drama de um jeito que faz a gente aceitar bem essa mistura.
Não Perturbe a Floresta entregou exatamente o tipo de experiência que eu esperava quando vi a sinopse e a capa. É um livro que vale muito mais pelo clima que constrói do que pelas grandes reviravoltas. A sensação de pesadelo constante, os monstros, a floresta e a relação entre Andrew e Thomas fazem a leitura compensar bastante.
⭐ 4/5








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