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Grazi Comenta




Eu assisti em maratona!

Carrie é uma das minhas histórias favoritas do Stephen King e, mesmo assim, nunca fui do tipo que acha que uma adaptação precisa reproduzir cada detalhe do livro para ser boa. Na verdade, acho até que esse preciosismo pode atrapalhar. Uma história escrita nos anos 1970 não precisa ficar presa àquela década toda vez que alguém resolve contá-la novamente. Principalmente quando estamos falando de Carrie, uma obra que nasceu como um alerta sobre coisas que, infelizmente, continuam acontecendo. E foi justamente por entender isso que achei a nova adaptação do Prime Video tão boa.

Mike Flanagan, que para mim continua sendo praticamente irretocável quando o assunto é terror, soube preservar o que importa na história original e, ao mesmo tempo, trazer questões que conversam com a geração atual. A introdução das redes sociais e do cyberbullying, por exemplo, foi uma das escolhas que mais gostei. Carrie sempre falou sobre a crueldade adolescente, a humilhação pública e as consequências devastadoras da violência praticada dentro da escola. Só que hoje essa violência não termina quando o aluno vai para casa. Ela continua no celular, circula em vídeos, ganha comentários e pode alcançar milhares de pessoas em questão de minutos. Faz todo o sentido que uma Carrie contemporânea também precise enfrentar isso.

E acho importante lembrar que Carrie nunca foi apenas uma história sobre uma menina com poderes telecinéticos que se vinga de quem a maltratou. É também sobre a desgraça que pode ser a puberdade feminina, especialmente quando ninguém explica o que está acontecendo com o seu corpo. É sobre crescer numa família dominada pelo fanatismo religioso, sem orientação para compreender o mundo e sem ferramentas para construir relações sociais saudáveis. É sobre bullying, isolamento e as feridas que essas experiências deixam. Mas o livro também é um retrato dos Estados Unidos dos anos 1970, da organização das escolas, dos costumes e até da maneira como aquela sociedade reagiria à existência de fenômenos sobrenaturais. Se a proposta é transportar essa história para outra época, tudo isso precisa ser repensado. Não adianta atualizar o figurino e deixar o restante da narrativa vivendo cinquenta anos no passado.

Gostei bastante das mudanças feitas na estrutura da história. O foco nas entrevistas cria um senso de mistério que acompanha a série até o último episódio, mesmo para quem já conhece muito bem o destino de Carrie White. A narração em off, trazendo relatos sobre mulheres consideradas sobrenaturais ao longo da história e o sofrimento que enfrentaram, também foi uma adição muito interessante. Existe uma relação direta entre esses relatos e o que acontece com Carrie: mulheres perseguidas, temidas ou punidas por características que a sociedade não consegue compreender ou controlar. E gostei de como a série amplia essa discussão sem abandonar o drama pessoal da protagonista.

Aliás, uma das coisas que mais me agradaram foi justamente essa ampliação do universo. Personagens como Emaline, a entrevistadora e as outras mulheres que aparecem ao longo da narrativa ajudam a construir uma dimensão que as adaptações anteriores praticamente não exploraram. O próprio livro tem uma estrutura quase documental, reunindo diferentes perspectivas sobre o caso Carrie White e sobre a existência da telecinese. Então achei muito interessante que Flanagan tenha recuperado esse aspecto da obra e desenvolvido a ideia de que Carrie não é um acontecimento isolado, mas parte de um fenômeno muito maior.

Ao mesmo tempo, senti que a série ficou mais intimista em alguns aspectos, especialmente na relação entre Carrie e sua mãe. Essa continua sendo a parte mais importante da história, porque é dentro de casa que boa parte do sofrimento da protagonista começa. Não me incomodei com as mudanças na personalidade de Carrie, mas confesso que esperava um pouco mais de loucura religiosa por parte da família. No livro, o fanatismo é uma presença sufocante, que determina praticamente todos os aspectos da vida da menina. Aqui, tive a impressão de que os pais estavam mais próximos de um perfil conspiracionista do que propriamente religioso. É uma atualização que conversa com a realidade atual, claro, mas acho que dava para explorar melhor os dois aspectos. Principalmente porque a relação entre religião, culpa e repressão do corpo feminino é fundamental para a história.

Sobre o elenco, tenho pouquíssimas reclamações. Samantha Sloyan está excelente como a mãe de Carrie, o que não chega a surpreender quem já conhece o trabalho dela. Essa mulher consegue transmitir tanta coisa apenas com o olhar que às vezes nem precisa abrir a boca para deixar uma cena desconfortável. Summer H. Howell também me conquistou como Carrie. Ela é uma gracinha e consegue acompanhar muito bem as mudanças emocionais da personagem, sem cair numa interpretação caricata e sem desaparecer diante de um elenco tão competente.

Sue Snell, Tommy e a Srta. Desjardin também funcionaram muito bem para mim. Gostei das dinâmicas entre eles e de como ajudam a construir o ambiente escolar sem parecer que estão ali apenas para cumprir as funções que conhecemos do livro. E Matthew Lillard como diretor da escola? Eu jamais teria pensado nele para esse papel, mas achei sua interpretação bastante convincente. Ele transmite a postura de alguém que realmente ocupa aquela posição, sem exagerar na autoridade ou transformar o personagem numa figura artificial, nem me lembrar que ele é mais conhecido pelos papéis na comédia.

Minha maior ressalva no elenco fica para Alison Thornton como Chris Hargensen. Não consegui entender muito bem o que ela pretendia transmitir na maior parte das cenas. A Chris não me pareceu raivosa o suficiente, nem cruel o suficiente, nem vulnerável o suficiente para que suas atitudes ganhassem alguma dimensão interessante. E não digo isso porque queria uma vilã completamente unidimensional. Pelo contrário, acho ótimo quando uma adaptação encontra novas camadas para personagens que já conhecemos. O problema é que, nesse caso, não senti que essas camadas foram construídas. A personagem acabou ficando meio indefinida, e isso prejudicou minha aceitação da contribuição dela na história. 

A ambientação também merece elogios. A série consegue construir a vida dos personagens sem exagerar nos elementos visuais e sem deixar aquela sensação de cenário vazio, que às vezes aparece em produções que se preocupam mais com a estética do que com o mundo em que a história acontece. Tudo parece fazer sentido dentro daquela realidade. E gosto especialmente de como Flanagan consegue equilibrar o cotidiano escolar, os conflitos familiares e o sobrenatural sem fazer parecer que estamos assistindo a três séries diferentes.

No geral, fiquei muito satisfeita com essa nova Carrie. Acho que Flanagan compreendeu que honrar uma obra não significa tratá-la como algo intocável. Significa entender por que ela foi escrita, o que tinha a dizer ao público daquela época e como essa mensagem pode continuar relevante hoje. A série tem suas falhas, principalmente na construção de alguns personagens e na exploração do fanatismo religioso, mas gostei das novas perspectivas, do elenco, da atmosfera e da maneira como a história foi ampliada. O final foi menos cruel que o do livro, teve menos impactor nas andanças da Carrie pela cidade e ao teve uma mudança gigantesca, mas ainda foi competente.

E, considerando as possibilidades que o final novo apresenta, estou bem animada para descobrir o que vem depois. Sei que a ideia de conectar diferentes histórias de Stephen King pode causar certo receio em quem prefere adaptações mais independentes, mas, sinceramente? Eu não achei ruim não. Se for bem desenvolvida, essa proposta pode render coisas muito interessantes.

A partir daqui, SPOILERS do final da série!

Uma das coisas que mais gostei no desfecho foi a ligação estabelecida entre Carrie e os iluminados do universo de Stephen King. A ideia de que seus poderes fazem parte de algo maior abre possibilidades que me deixaram bastante empolgada, principalmente porque conversa com o aspecto quase documental do romance original, que já sugeria a existência de outras pessoas com habilidades semelhantes.

Tudo que envolveu Emaline me pareceu relativamente óbvio, então não foi exatamente essa parte que me surpreendeu. O que realmente despertou minha curiosidade foi a organização de bruxas que estava atrás de Carrie. Ainda não consegui entender quais são suas intenções ou qual será seu papel nesse universo. Será que existe alguma ligação com o culto apresentado em Doutor Sono? Ou será que essas mulheres estão procurando outras pessoas iluminadas justamente para reunir uma força capaz de enfrentar esse tipo de ser?

Não faço ideia, mas gostei muito de ficar pensando nessas possibilidades depois que a série terminou. E, meu pai do céu, imaginar um possível encontro entre Carrie White, Danny Torrance e Abra Stone já é suficiente para me deixar querendo uma continuação. Acho que estou contaminada por universos cinematográficos.

Se a proposta for realmente construir um universo compartilhado a partir das histórias de King, estou curiosíssima para ver como vão fazer isso. Sei que existem riscos, principalmente quando começam a conectar personagens e acontecimentos que originalmente funcionavam muito bem sozinhos, mas não vejo problema em explorar essas possibilidades. Desde que as conexões façam sentido e não sejam colocadas ali apenas para provocar uma reação dos fãs, acho que temos um caminho bastante promissor pela frente.

E se for feito pelo Mike Flanagan, aí é acerto garantido. 





sexta-feira, outubro 16, 2026 No comments


 

Sinopse

Depois de perder a mãe para uma doença misteriosa, Lilia Vespertine consegue uma vaga na Universidade de Dracadia, uma instituição isolada onde espera encontrar respostas sobre a enfermidade. Mas os segredos da universidade vão muito além dos rumores de assombrações, especialmente quando ela conhece Devryck Bramwell, um patologista brilhante e professor conhecido como Doutor Morte. Entre pesquisas perturbadoras, experimentos perigosos e uma atração proibida, Lilia descobre que a verdade sobre a doença pode ser muito mais assustadora do que imaginava.

Opinião

Eu amo quando um livro entrega exatamente o que eu esperava dele, especialmente uma dark academia gótica. 

Esse livro mistura romance e horror sem parecer que um dos dois está sobrando na história. E Nocticadia tem uma ambientação que me lembrou bastante a série Rastro de Sangue, da Kerri Maniscalco, o que já é um baita elogio vindo de mim. Tem autópsias, necrotérios, cadáveres, vermes, doenças misteriosas e um romance proibido acontecendo no meio dessa bagunça toda. Parece uma combinação esquisita? Talvez, mas funciona muito bem. 

A história acompanha Lilia Vespertine, uma jovem que cresceu enfrentando dificuldades e decide estudar na Universidade de Dracadia, uma instituição isolada e cercada por rumores bastante perturbadores. Ela está determinada a encontrar respostas para acontecimentos que marcaram sua vida, mas acaba se envolvendo com Devryck Bramwell, um professor tão atraente quanto misterioso, que parece saber muito mais sobre os segredos daquele lugar do que está disposto a revelar.

Preciso falar do começo desse livro porque achei fantástico. Keri Lake consegue apresentar a protagonista, estabelecer os primeiros mistérios e criar uma atmosfera desconfortável logo nas páginas iniciais. A gente percebe que existe alguma coisa muito errada acontecendo e, quanto mais informações aparecem, mais perguntas surgem. Eu estava cheia de teorias e querendo descobrir como todos aqueles acontecimentos se conectavam.

E a ambientação é provavelmente o maior acerto da autora. Dracadia tem aquele clima de universidade antiga, isolada e cheia de segredos que combina muito com uma dark academia, mas o livro vai além da estética de corredores escuros e professores misteriosos. Existe um horror físico muito presente na história, com descrições de autópsias, parasitas, mariposas e manifestações de uma doença que tornam algumas passagens bastante incômodas. E eu adorei isso! São cenas grotescas, mas que despertam curiosidade em vez de parecerem colocadas ali apenas para chocar.

Tudo que envolvia a toxina, a doença os efeitos dela foram especialmente interessantes para mim. Gostei de acompanhar as descobertas e de tentar entender qual era a ligação de Devryck com aquilo tudo. A autora consegue transformar elementos que poderiam ser simplesmente nojentos em peças importantes do suspense. Tem momentos em que a gente fica com um pouco de gastura lendo, mas continua porque quer saber mais. É exatamente o tipo de coisa que eu esperava encontrar quando comecei o livro.

O problema é que, depois de uma abertura tão boa, senti que o ritmo caiu um pouco. Não é que a história fique parada, porque os acontecimentos estranhos continuam e o mistério vai ganhando novas camadas. Só que existe uma diferença entre aumentar a quantidade de situações suspeitas e realmente fazer a investigação avançar. Em alguns momentos, parecia que eu estava acumulando perguntas sem receber informações suficientes para começar a montar as respostas.

Também tive dificuldade com a construção da Lilia. Ela é apresentada como uma mulher forte, decidida e que precisou aprender a se virar desde cedo. Aquela personagem com ''inteligência das ruas'', sabe? Só que demora bastante para ela começar a demonstrar essa esperteza. Algumas atitudes não combinam tanto com a personalidade que a autora havia estabelecido no início, principalmente considerando os perigos ao redor dela. Não precisava ser uma protagonista infalível, mas eu esperava um pouco mais de perspicácia. 

Já o romance com Devryck foi uma delícia. A dinâmica de professor e aluna é um daqueles clichês que dependem muito da execução, ainda mais quando estamos falando de um dark romance, mas achei que Keri Lake soube desenvolver a atração entre os dois sem apressar demais o envolvimento. Existe tensão, o relacionamento é seduzente e a proximidade vai sendo construída de uma maneira que me convenceu. A única coisa que achei um pouco exagerada foi a obsessão de Devryck por Lilia, que pareceu surgir quase instantaneamente. O relacionamento demora para acontecer, mas o interesse dele já começa numa intensidade que pra mim não acompanhou a apresentação do personagem.

E aí chegamos à resolução do mistério, que foi a parte que mais me deixou dividida. Gostei das respostas, principalmente de como os elementos relacionados à doença, à toxina e ao envolvimento de Devryck se encaixam na história. O problema foi a maneira como chegamos até elas. Depois de tanto tempo construindo o suspense, algumas descobertas e acontecimentos decisivos são resolvidos rápido demais. Eu esperava um desenvolvimento mais elaborado, talvez até um confronto mais marcante, e acabei achando essa parte um pouco anticlimática.

É frustrante porque o livro tinha conseguido me deixar muito curiosa. A abertura prometia uma investigação cheia de possibilidades e, mesmo a explicação final sendo satisfatória, o caminho até ela não teve todo o impacto que eu imaginava. Não acho que seja um problema de falta de ideias, muito pelo contrário. Keri Lake criou elementos bem interessantes, mas poderia ter dedicado mais tempo à conclusão. Sabe aquela correria depois de vários capítulos arrastando o mistério? Foi tipo isso.

Apesar dessas ressalvas, me diverti bastante com Nocticadia. É um dark romance que realmente aproveita sua ambientação gótica e não tem medo de trabalhar com elementos de horror corporal. Gostei especialmente de perceber que o mistério não existe apenas para colocar os protagonistas em situações românticas. Ele tem importância própria e, em vários momentos, foi justamente o que mais me interessou. Aliás, tem um mistério principal que envolve tudo, mas outras subtramas com cada personagem, então nesse sentido o livro nunca fica tedioso.

O final fecha bem a história principal, o que também gostei, porque não sou muito fã quando um livro enorme termina deixando todas as respostas para uma continuação. Mas a autora ainda encontrou espaço para sugerir uma possível nova história envolvendo outro casal. Achei esse gancho bastante previsível, confesso, mas fiquei animada mesmo assim. 

No geral, Nocticadia entregou uma combinação de romance proibido, investigação e horror que funcionou muito bem comigo. Se você gosta da atmosfera de romances góticos em castelos sombrios e não se incomoda com descrições grotescas, acho que vale conhecer Dracadia. Eu certamente voltaria para uma continuação, principalmente se Keri Lake mantivesse essa mesma proposta de mistério e horror.

terça-feira, outubro 13, 2026 No comments

 

Sinopse

Agneta Lejongård abandonou os privilégios da aristocracia sueca para estudar arte em Estocolmo e participar do movimento sufragista, determinada a construir uma vida longe das tradições de sua família. Mas uma tragédia inesperada a obriga a retornar ao Solar dos Leões e assumir responsabilidades para as quais nunca se preparou. Dividida entre seus ideais de liberdade e as obrigações de sua posição social, Agneta precisará enfrentar conflitos familiares, antigos ressentimentos e as limitações impostas às mulheres numa sociedade que começa a se transformar.

Opinião

Eu adoro sagas familiares, principalmente as que acompanham diferentes gerações de mulheres e mostram como suas vidas foram influenciadas pelas mudanças sociais de cada época. Então ''A Herança de Agneta'' chamou minha atenção logo pela premissa: uma jovem aristocrata que abandona os privilégios da família para estudar arte, participa do movimento sufragista e precisa retornar à propriedade dos pais por causa de uma tragédia? Ainda por cima na Suécia do início do século XX? Tinha tudo para ser uma história muito interessante. Só que eu esperava algo diferente do que recebi.

Agneta Lejongård é filha de condes, mas não quer seguir o futuro que sua família planejou. Enquanto seus pais esperam que ela se case com alguém de sua posição social, Agneta prefere viver em Estocolmo, estudar arte e participar das manifestações pelos direitos das mulheres. Só que uma tragédia familiar a obriga a voltar para o Solar dos Leões e assumir responsabilidades para as quais nunca se preparou.

A premissa é boa, e gostei especialmente de conhecer um pouco da aristocracia sueca e das transformações que começavam a acontecer naquele período. O problema é que, conforme a história avançava, percebi que não estava gostando tanto assim de acompanhar a protagonista.

Agneta é uma personagem difícil de simpatizar. Não porque seja independente, questionadora ou tenha dificuldades para aceitar a vida que lhe foi imposta. Pelo contrário, esses são justamente os aspectos que poderiam torná-la interessante. O que me incomodou foi a maneira como ela reage a praticamente tudo. Existem situações realmente complicadas, principalmente considerando a época em que vive, mas às vezes Agneta faz parecer que qualquer contratempo é o fim do mundo. E chega uma hora em que esse comportamento cansa.

Acho que um dos maiores problemas é que eu fui ler achando que era seria parecida com a Jakobe de ''Um homem de sorte'' (o filme dinamarquês de 2018, não a adaptação de Nicholas Sparks com o Zac Efron). A Jakobe meio que faz o caminho inverso da Agneta e como eu tenho ela como uma das minhas maiores referências de personagens femininas dos dramas históricos, tive expectativas enormes.

Além de tudo, também achei que existe uma contradição entre a mulher decidida que conhecemos no começo e algumas atitudes que ela toma ao longo da história. Agneta luta tanto para conquistar sua independência, mas em determinadas situações parece agir sem pensar nas consequências, especialmente quando o assunto envolve seus relacionamentos. Não espero personagens perfeitos, muito menos protagonistas que acertem sempre, mas gosto de entender as motivações por trás de suas escolhas. Aqui, algumas mudanças acontecem tão rapidamente que tive dificuldade de acompanhar seus sentimentos.

E isso acabou prejudicando também os romances. Não achei que os relacionamentos receberam desenvolvimento suficiente para que eu me envolvesse de verdade. Em alguns momentos, parecia que a autora estava mais interessada em fazer a história avançar do que em mostrar como aqueles sentimentos foram construídos. Para um livro que dedica bastante espaço à vida pessoal da protagonista, senti falta justamente dessa conexão. E, claro, eu sou uma abestalhada por cenas românticas. Queria um pouco mais.

Já a relação entre Agneta e sua mãe foi uma das partes que mais gostei. As duas possuem visões muito diferentes sobre o papel da mulher e sobre as obrigações familiares, e é interessante perceber como essas diferenças influenciam a maneira como se tratam. A mãe de Agneta passou a vida seguindo determinadas regras, enquanto a filha deseja romper com todas elas. Acho que esse conflito poderia ter sido ainda mais explorado, porque havia bastante coisa interessante para discutir ali. Acho que numa adaptação desse livro, a relação delas seria o ponto forte.

Outra questão que tive é que eu esperava encontrar mais sobre o contexto histórico. O movimento sufragista sueco, as diferenças entre as classes sociais e a própria administração do Solar dos Leões poderiam ter recebido mais atenção. Agneta assume uma propriedade importante, com funcionários e criação de cavalos, mas a narrativa acaba priorizando seus dramas pessoais. E como nem sempre tive paciência com esses dramas, confesso que senti ainda mais falta das outras tramas.

Apesar disso, não foi uma leitura ruim. A escrita da Corina Bomann é bastante acessível, a história flui bem e o universo apresentado tem potencial para render uma saga familiar interessante. Gostei da ambientação e de conhecer uma sociedade que não costuma aparecer tanto nos romances históricos que leio. Só queria que a protagonista fosse um pouco menos cansativa e que a autora tivesse aproveitado melhor os acontecimentos ao redor dela.

⭐⭐⭐

sexta-feira, outubro 09, 2026 No comments

 


Esse é mais um dos exemplos de que ''bad writing never wins''.

Eu já não sou exatamente fã da escrita da Colleen Hoover. Acho rasa, exagerada e muitas vezes emocionalmente óbvia. Mas Verity é uma das poucas histórias dela que realmente funciona para mim porque, apesar de tudo, consegue criar uma atmosfera de suspense interessante, personagens moralmente duvidosos e aquela sensação gostosa de terminar o livro pensando: “tá, mas em quem eu acredito agora?”. O filme conseguiu pegar justamente essa parte e jogar pela janela.

Começando pelas atuações: são estranhamente caricatas para um elenco cheio de nomes consagrados. Anne Hathaway é quem salva o que dá para salvar porque, bom, ela é Anne Hathaway. Tem presença, charme e consegue dominar a cena quase sem esforço. O problema é que o roteiro parece passar o filme inteiro segurando ela pela mão e dizendo: “não inventa muito, tá?”. Não deixa a atriz se espalhar, não deixa Verity ser realmente imprevisível, sedutora, ameaçadora, frágil ou ambígua. Em vez de fazer o público desconfiar de tudo, o filme praticamente aponta uma seta luminosa para a personagem dizendo: “É ELA”.

E isso destrói metade da graça.

Já a Dakota Johnson continua interpretando Dakota Johnson em diferentes cenários. Lowen deveria estar entrando num estado cada vez mais paranoico, perturbado e obsessivo, mas ela parece emocionalmente no mesmo lugar durante quase todo o filme. O roteiro ainda, descaradamente, dá a ela um monólogo pra explicar o que a atuação dela é incapaz de dizer. E você sabe, eu gosto do ''mostre, não conte''. No clímax, em determinados momentos, a expressão dela é de quem está indo comprar pão e não de quem acabou de descobrir coisas completamente bizarras. Aliás, ninguém nesse filme parece reagir como um ser humano normal reagiria aos acontecimentos. A casa pode praticamente explodir emocionalmente e os personagens ficam com cara de “complicado isso aí”.

O ritmo também é inacreditavelmente lento. E não lento de forma elegante, daquela que vai criando uma sensação sufocante. É só lento mesmo. A atmosfera de angústia e paranoia que existe no livro simplesmente não aparece. Para piorar, o filme parece ter uma relação pessoal contra trilha sonora. Algumas revelações enormes acontecem com uma ausência de música tão agressiva que eu só ouvia alguém tossindo ou comendo pipoca na sala de cinema. Faltou trilha, faltou tensão, faltou peso.

E as mudanças de roteiro? Algumas parecem feitas especificamente para diminuir o impacto da história. Elas enfraquecem a construção da Lowen, mudam bastante a personalidade do marido da Verity e retiram boa parte do peso das situações. Também continuo sem entender por que resolveram cortar a outra gêmea, já que ela tinha uma função importante na construção do manuscrito e na própria forma como entendemos Verity.

Mas o maior crime é o que fizeram com a principal discussão do livro: manuscrito ou carta?

Essa é literalmente a parte mais interessante de Verity. O livro termina e você fica tentando remontar tudo, discutindo teorias, lembrando de detalhes e escolhendo qual versão parece menos absurda. É uma ambiguidade que alimenta discussões até hoje.

No filme? Quase nada.

Você sai da sessão e parece que todo mundo recebeu um panfleto na entrada explicando quem é a vilã. Não existe aquele susto final. Não existe aquela sensação de “meu Deus, e se eu entendi tudo errado?”. Não existe praticamente nenhuma dúvida real sobre Verity. E, sinceramente, se você adapta Verity e tira justamente a discussão sobre quem Verity realmente é, sobra o quê? Nem existe nem a discussão sobre as escolhas da Lowen e o que isso quer dizer sobre ela. 

No fim, o filme consegue ser ao mesmo tempo exagerado nas atuações e morno na tensão. Anne Hathaway tenta carregar tudo nas costas com o carisma dela, Dakota Johnson continua passeando tranquilamente pelo mesmo papel de sempre e o roteiro transforma uma história que deveria ser perturbadora e paranoica em um suspense que parece estar com medo de incomodar o público. Nisso, ''A empregada'' deu de 1000 x 0.

Saímos do cinema não pensando “manuscrito ou carta?”, mas “era só isso?”.

sábado, outubro 03, 2026 No comments


Sinopse

Após a morte suspeita da mãe, uma famosa autora de thrillers, Mackenzie começa a receber cartas misteriosas assinadas por ela. Em busca de respostas, mergulha em segredos familiares que parecem saídos de um livro — mas são reais demais para ignorar.

 Opinião

“Com amor, mamãe” é aquele tipo de thriller que já começa te puxando pela curiosidade. A ideia de uma mãe recém-falecida “mandando” cartas para a filha é o tipo de gancho que funciona muito bem.

A leitura é extremamente fluida, com capítulos curtos e vários pontos de vista que vão ampliando o quebra-cabeça aos poucos. Isso deixa o ritmo bem acelerado e cria aquela sensação de “só mais um capítulo” o tempo todo. Foi um daqueles livros que me pegou fácil e me manteve curiosa por boa parte da história.

A narrativa também brinca com múltiplas camadas: tem investigação, drama familiar e aquele clima de desconfiança constante em que você não sabe muito bem em quem acreditar. Conforme os segredos vão aparecendo, a história ganha mais intensidade e começa a ficar mais envolvente.

Mas nem tudo funciona perfeitamente. Em alguns momentos, senti falta de uma construção mais forte dos personagens e algumas motivações também parecem simplificadas demais diante do que está acontecendo.

Por outro lado, o livro compensa com reviravoltas bem colocadas e um ritmo que não deixa a leitura cair. Teve um ponto específico, ali pela metade, em que eu realmente fiquei fisgada, querendo entender como tudo ia se conectar e isso fez toda diferença na experiência. Sabe quando chega NAQUELA parte? Então, foi isso. 

É um thriller rápido, envolvente e com uma premissa que chama atenção, perfeito pra quem gosta de histórias cheias de segredos e revelações. Não é o mais profundo do gênero, mas entrega uma leitura viciante e divertida.

⭐️Nota: 4/5

sábado, setembro 26, 2026 No comments

Uma das melhores coisas sobre a leitura de romances policiais, suspenses e mistérios é aquela atração imediata que vem com uma boa premissa e uma introdução eficiente. Sabe aquela coceirinha para finalizar o livro agora mesmo porque você simplesmente precisa saber o que vai rolar? Esse post é de dicas para esse tipo de livro. Aí vão 7 livros ótimo para ler numa sentada só.


Seis Anos Depois — Harlan Coben: Seis anos após perder a mulher que amava, Jake descobre que o passado dela pode ter sido uma grande mentira.

Boneco de Pano — Daniel Cole: Um corpo montado com partes de seis vítimas dá início a uma caçada contra um assassino que anuncia seus próximos crimes.

Os Assassinos do Cartão-Postal — James Patterson e Liza Marklund: Um detetive persegue pela Europa os assassinos responsáveis pela morte de sua filha.

Não Conte a Ninguém — Harlan Coben: Anos após o assassinato da esposa, um homem recebe sinais de que ela talvez ainda esteja viva.

A Espiã da Realeza — Rhys Bowen: Uma jovem aristocrata falida se envolve em espionagem e assassinato a serviço da realeza britânica.

Ninfeias Negras — Michel Bussi: Um assassinato em Giverny conecta misteriosamente a vida de três mulheres de idades diferentes.

O Filho Perfeito — Freida McFadden: Uma mãe começa a suspeitar que seu filho adolescente possa estar envolvido no desaparecimento de uma garota.

sexta-feira, setembro 18, 2026 No comments

Quando pensamos em Nikki Reed, a maioria das pessoas lembra imediatamente de Rosalie Cullen, a vampira mais intimidadora da família Cullen em Crepúsculo...

...mas muito antes de fazer parte de uma das maiores franquias da cultura pop dos anos 2000, Nikki já havia realizado algo que poucos roteiristas conseguem em toda uma carreira: ela escreveu um filme aclamado pela crítica quando tinha apenas 15 anos. E o mais impressionante é que a história nasceu da própria vida dela.

Uma adolescência turbulenta longe de Hollywood

Hoje Nikki Reed costuma ser lembrada por sua carreira no cinema e pelo casamento com Ian Somerhalder, mas sua adolescência esteve longe da imagem tradicional de uma jovem estrela de Hollywood.

Filha de uma cabeleireira e de um designer de cenários, Nikki passou por um período particularmente difícil durante a adolescência. Em entrevistas posteriores, ela contou que começou a se envolver com grupos que preocupavam sua família, enfrentou conflitos em casa e acabou se afastando da mãe durante algum tempo. Ela tinha apenas 13 anos quando decidiu sair da casa da família para viver de forma mais independente, uma experiência que mais tarde serviria de inspiração para seu trabalho mais importante. Foi nesse contexto que surgiu uma figura fundamental em sua trajetória: Catherine Hardwicke.

O conselho que mudou tudo

Antes de dirigir Crepúsculo, Catherine Hardwicke já era uma profissional respeitada em Hollywood, atuando principalmente como diretora de arte e designer de produção em filmes como Os Reis de Dogtown e Vanilla Sky. Mas sua ligação com Nikki era muito mais pessoal. Hardwicke era amiga da mãe da adolescente e acompanhava de perto as dificuldades que ela enfrentava. Em vez de ignorar aquela fase complicada, a cineasta enxergou algo que poucos adultos haviam percebido: Nikki tinha histórias importantes para contar. Segundo relatos das duas, Catherine sugeriu que a jovem começasse a escrever sobre suas experiências. O que parecia apenas um exercício criativo acabaria se transformando em um filme elogiado.

Nikki Reed tinha apenas 15 anos quando ela e Catherine Hardwicke começaram a transformar suas experiências pessoais em um roteiro. O processo aconteceu de forma surpreendentemente rápida: durante cerca de seis dias intensos de trabalho, as duas desenvolveram a história de Aos Treze (Thirteen), um drama que explorava temas como pressão social, drogas, sexualidade, automutilação, rebeldia adolescente e a busca desesperada por pertencimento.

A maior parte dos eventos retratados era inspirada em situações que Nikki havia presenciado ou vivido durante sua própria adolescência. O resultado foi um roteiro brutalmente honesto. Num período em que muitos filmes adolescentes apostavam em romances leves e comédias escolares, Aos Treze apresentava uma realidade muito mais desconfortável e justamente por isso chamou tanta atenção.

O filme dividiu opiniões e conquistou a crítica

Lançado em 2003, Aos Treze rapidamente se tornou um dos filmes mais comentados daquele ano. A produção foi elogiada pela maneira crua e realista com que retratava a adolescência feminina, algo ainda relativamente raro em Hollywood. O longa também gerou debates intensos entre pais, educadores e críticos, justamente porque não tentava suavizar os comportamentos autodestrutivos das protagonistas. A recepção crítica foi extremamente positiva. Catherine Hardwicke recebeu diversos prêmios por sua direção e o filme conquistou uma indicação ao Oscar para Holly Hunter, que interpretava a mãe da protagonista. Para uma jovem de apenas 15 anos, já seria impressionante participar de um projeto desse porte, mas Nikki Reed foi além e também estrelou o filme. Ela interpretou Evie, a adolescente carismática e problemática que influencia profundamente a protagonista Tracy, vivida por Evan Rachel Wood.

Muitos críticos destacaram a autenticidade de sua performance, algo que fazia sentido considerando o quanto a personagem estava conectada às experiências reais que inspiraram o roteiro. De repente, uma adolescente praticamente desconhecida se tornou um dos nomes mais comentados do cinema independente americano. Tudo isso antes mesmo de completar 16 anos.

O reencontro em Crepúsculo

Se a história terminasse aí, já seria impressionante, mas o destino ainda reservaria mais um capítulo curioso para a dupla. Alguns anos depois, a escritora Stephenie Meyer viu seu fenômeno literário chegar aos cinemas quando Crepúsculo entrou em produção. Para dirigir a adaptação, o estúdio escolheu justamente Catherine Hardwicke, uma diretora que queria apostar na atmosfera intimista e meio indie da saga. Quando chegou o momento de escalar o elenco, a diretora voltou a trabalhar com uma pessoa em quem já confiava completamente: Nikki Reed. E assim ela se tornou nossa loira perfeita e raivosa.

O legado de uma adolescente que transformou a própria dor em arte

Em vez de esconder experiências difíceis ou fingir que elas nunca existiram, Nikki e Catherine Hardwicke transformaram aquele período turbulento da vida de Nikki em uma obra que continua sendo discutida mais de duas décadas depois. Aos Treze permanece como um dos retratos mais intensos e controversos da adolescência já produzidos por Hollywood.

Às vezes, a diferença entre uma crise e uma grande história é apenas alguém disposto a ouvir.

quinta-feira, setembro 10, 2026 No comments


O livro

Depois de Uma Casa na Floresta (resenha aqui), acompanhar os Ingalls deixando Wisconsin e partindo em busca de uma nova vida fez a série ganhar uma dimensão completamente diferente para mim. Uma Casa na Pradaria continua tendo aquela simplicidade gostosa do cotidiano familiar, mas dessa vez há muito mais perigo, aventura e, principalmente, questões históricas que me fizeram parar várias vezes para pensar sobre o que estava lendo, meio que como em Outlander, mas com muito menos trauma.

A família viaja de carroça até o Kansas e começa praticamente do zero. Pa constrói a casa, os móveis e tudo aquilo de que precisam enquanto eles tentam transformar um pedaço da pradaria em lar. É impressionante imaginar a quantidade de trabalho necessária apenas para existir naquele lugar (será que eu seria menos reclamona ou mais?). Ao mesmo tempo, a natureza continua sendo uma presença constante: tempestades, animais, doenças, incêndios e a distância de qualquer tipo de ajuda fazem parte da vida deles. Só que existe uma diferença importante em relação ao primeiro livro: os Ingalls estão ocupando território indígena e essa foi a parte que mais me fez refletir (algo que acontece também a partir do quarto livro de Outlander). 

O livro foi publicado em 1935 e narra lembranças de uma infância vivida no século XIX, então obviamente encontramos pensamentos que hoje causam bastante incômodo. Caroline demonstra medo e preconceito contra os indígenas, enquanto outros personagens conseguem ser ainda piores. A senhora Scott, especialmente, me irritou profundamente. Pa possui uma postura menos hostil, embora também faça parte daquela ocupação. Laura continua sendo uma querida e parece enxergar algumas dessas situações de uma maneira muito mais simples.

É muito incômodo lembrar o que foi feito com os indígenas, verdadeiros donos da terra, e ainda foi criado um feriado para lembrar sempre de como eles foram receptivos como os peregrinos... e mesmo assim olha o destino que tiveram. Foi impossível não pensar nisso durante a leitura, principalmente quando fica claro que o governo reconhecia aquela região como território indígena e que os colonos poderiam ser retirados. A gente acompanhou a família construir aquela casa com as próprias mãos, então existe tristeza ao vê-los perdendo tudo. Ao mesmo tempo, aquilo nunca deveria ter sido deles.

Essa contradição é provavelmente o aspecto mais interessante do livro para mim. Eu gosto dos Ingalls. Estou acompanhando aquela família há dois livros e obviamente não quero que nada ruim aconteça com eles. Só que gostar dos personagens não significa concordar com tudo que pensavam ou ignorar o contexto histórico em que estavam inseridos.

Além das histórias da Laura, estou conhecendo pequenos detalhes da vida no século XIX que sempre estou procurando nos vídeos de youtube com loooongas explicações da vida em outros tempos. É bem legal ver uma narração sobre isso, não só os tópicos. Toda hora aparece alguma coisa que me faz interromper a leitura para descobrir como funcionava.

Uma Casa na Pradaria continua sendo uma leitura simples e muito acessível, mas achei esse volume bem mais complexo do que o primeiro justamente pelo contexto histórico. A inocência da Laura permanece ali, assim como o amor pela família e pela natureza, mas agora existe todo um cenário de expansão territorial acontecendo ao redor dela.

O livro e a série da Netflix

A nova série da Netflix é baseada diretamente neste livro, mas não é uma adaptação cena por cena. Ela mantém vários acontecimentos importantes, como a viagem ao Kansas, a construção da casa, os lobos, a doença e o incêndio, porém expande bastante tudo que no livro conhecemos apenas através da perspectiva limitada de Laura. A maior diferença está justamente nos personagens Osage. No livro, a gente conhece esses povos pelo olhar dos Ingalls e dos outros colonos, já a série cria personagens indígenas com histórias próprias, incluindo Good Eagle e sua família, e mostra o que estava acontecendo com os Osage enquanto os colonos ocupavam suas terras. Good Eagle, inclusive, foi criada para a adaptação e desenvolve uma amizade com Laura que não existe no livro. Independence também ganha muito mais importância, já que no livro é basicamente um lugar para onde Pa vai buscar mantimentos, enquanto a série transforma a cidade e seus habitantes em parte da trama. O final também ganha outro desenvolvimento: no livro, Pa descobre que soldados poderão retirar os colonos do território e decide partir antes disso, mas a série cria toda uma trama envolvendo negociações, interesses econômicos e os Osage discutindo o futuro de suas terras. Achei uma escolha interessante porque preserva a história da família que estamos acompanhando, mas mostra um lado que Laura, sendo uma criança branca vivendo naquele contexto, simplesmente não poderia ter registrado em suas memórias. Ficou mais complexo, dinâmico e interessante.


E vocês, já leram ou viram a série? O que acharam?

sexta-feira, setembro 04, 2026 No comments
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