Esse é o primeiro livro da série Little House, enquanto Uma Casa na Pradaria, provavelmente o título mais conhecido e que ganhou a nova adaptação da Netflix, é o terceiro. Então achei muito legal começar daqui e conhecer Laura ainda pequena, vivendo com os pais, as irmãs e os animais antes das grandes mudanças que viriam depois.
Grande parte do meu interesse veio justamente das descrições do cotidiano. A gente acompanha como a família conseguia comida, preparava alimentos, cuidava dos animais, produzia coisas que hoje simplesmente compramos prontas e sobrevivia ao inverno dependendo muito mais do próprio trabalho e da natureza (já vi as sinopses dos outros livros e parece que esse inverso vai dar um trabalhar mais tarde...). Algumas dessas passagens despertaram tanto minha curiosidade que fui pesquisar várias coisas que apareciam no livro enquanto lia.
Só que também fiquei pensando muito em como aquela vida devia ser assustadora para os adultos. Como a história é contada pela perspectiva da Laura, existe uma inocência que transforma várias situações em aventuras. Eu, adulta, estava pensando: "meu Deus, e se alguma coisa acontecer com essas pessoas no meio do nada?". A cena envolvendo Ma e o urso me deixou nervosa justamente por isso. É muito fácil romantizar a vida dos pioneiros quando a gente acompanha tudo pelos olhos de uma criança, mas havia uma vulnerabilidade enorme, principalmente para as mulheres com filhos pequenos e quilômetros de distância entre uma casa e outra. É bonitinho no livro, mas quando a gente se põe no lugar deles, nossa, fico angustiada.
Laura foi outra razão para eu gostar tanto. Ela é curiosa, observadora, ama os animais e às vezes enxerga as situações de uma maneira muito própria das crianças. Em determinado momento, por exemplo, ela se preocupa mais com a possibilidade de um urso machucar a vaca da família do que com o fato de ela mesma ter chegado perto dele. Ela é uma querida.
O livro também tem pequenas histórias que funcionam quase como fábulas dentro das memórias da família. Há um episódio envolvendo um cachorro que percebe um perigo antes dos humanos e outro em que uma criança aprende da pior maneira possível por que não deveria fingir repetidamente que precisa de ajuda. São coisas simples, mas que combinam muito com a forma como histórias e ensinamentos eram transmitidos dentro das famílias. É tudo muito lúdico, super bom para usar com crianças na escola.
Acho que foi exatamente essa combinação de infância, natureza e cotidiano que me lembrou bastante a leitura de Anne de Green Gables. Não são histórias iguais, mas existe aquela mesma sensação gostosa de acompanhar uma menina crescendo enquanto observa um mundo que parece muito maior através dos olhos dela. Se você gosta de Anne, acho que vai gostar de Laura também.
Uma Casa na Floresta acabou sendo uma surpresa muito boa. Além de acompanhar a família Ingalls, a gente conhece costumes e formas de sobrevivência de uma época completamente diferente da nossa. É uma leitura infantil que funciona muito bem para adultos justamente porque conseguimos enxergar perigos e dificuldades que a pequena Laura ainda não compreendia completamente.
Agora quero continuar a série porque já fiquei apegada a essa família. :)









