Resenha: Academia Arcana - Elise Kova (Dark Academia)

by - quinta-feira, junho 18, 2026


Sinopse

Clara sobrevive usando magia proibida até ser presa por dominar uma habilidade reservada à elite da Academia Arcana. Quando o misterioso príncipe Kaelis lhe oferece liberdade em troca de ajuda para recuperar uma poderosa carta mágica, ela se vê mergulhada em uma academia repleta de intrigas, segredos e disputas pelo poder. Entre alianças perigosas e sentimentos inesperados, Clara precisará decidir em quem confiar — inclusive em si mesma.

Resenha

“Você é de alguma forma melhor e pior do que eu jamais poderia
imaginar – tudo que eu precisava e a última coisa que eu queria.”

Alguns livros me conquistam pela originalidade, outros pela execução da premissa. Academia Arcana ficou em algum lugar entre os dois Não foi uma leitura arrebatadora, nem daquelas que me fizeram ignorar fome/sono para descobrir imediatamente o que aconteceria no próximo capítulo, mas foi uma fantasia sólida, divertida e com elementos suficientes para me deixar curiosa pela continuação.

A história acompanha Clara, uma jovem que sobreviveu boa parte da vida longe dos privilégios da elite e que acaba condenada por utilizar uma forma rara de magia associada às cartas de tarô. Quando tudo parece perdido, ela recebe uma proposta inesperada do príncipe Kaelis, diretor da Academia Arcana. Em troca de sua liberdade, Clara precisará ajudá-lo em uma missão que envolve poder, segredos políticos e uma das cartas mais importantes daquele universo.

O que mais envolve o leitor nesse livro é o sistema de magia. Faz tempo que não encontro uma fantasia que utilize cartas de forma tão central para a construção do mundo (se é que já li algum assim, não lembro de nada além de Uma Janela sombria O Circo da Noite). Existe toda uma mitologia envolvendo os Arcanos, os diferentes tipos de cartas, seus poderes e limitações. É um conceito que chama atenção logo no início e sustenta boa parte do interesse da narrativa.

“Bem, se vou morrer de qualquer maneira, vou partir com um
bom livro nas mãos e completamente bêbada.”

As sequências dentro da Academia também funcionam bem. Sempre gostei de histórias que exploram o ambiente escolar em universos fantásticos e aqui temos aulas, treinamentos, rivalidades e disputas que ajudam a construir a atmosfera de dark academia prometida no título.

Durante a leitura, tive várias vezes a sensação de estar diante de uma mistura entre Harry Potter e Uma Janela Sombria. Não porque a história seja parecida, mas pela combinação entre uma escola de magia e um sistema mágico ligado às cartas. Nãod eu para evitar essa associação enquanto eu lia.

Ao mesmo tempo, senti que o livro sofre um pouco com o excesso de informações, que é bem comum em livros introdutórios de sagas. Esse universo da Elise Kova é um pouco complexo e acho que ela sentiu que precisava dar explicações constantes. Às vezes funciona bem, em outras, acaba metendo o freio no ritmo da narrativa. Algum momentos pareceu que a autora estava mais preocupada em apresentar as regras do mundo do que em movimentar a trama. 


“Duvido do mundo ao meu redor. Tenho medo daquilo que não posso controlar.
Mas não duvido de mim mesma e não temo a única coisa sobre a qual tenho poder: eu mesma.”

Clara também não foi uma protagonista que me conquistou completamente. Não desgostei dela, nem criei uma conexão emocional muito forte. O que não é bem uma novidade, já que sempre tive seríssimos problemas em gostar de protagonistas. Não sei até hoje como gostei da Katniss já de primeira. E a mesma coisa aconteceu com os secundários. Existem muitos personagens circulando pela narrativa e nem todos recebem desenvolvimento suficiente para se tornarem memoráveis e me fizeram perguntar qual o objetivo deles ali.

Já Kaelis cumpre bem seu papel de príncipe misterioso, carregando segredos e intenções pouco claras durante boa parte da trama. O romance entre ele e Clara segue um caminho de desconfiança, aproximação aos poucos e tensão constante. É um slow burn que funciona, mas senti falta de um pouco mais de desenvolvimento emocional antes de cenas certas.

Há um potencial da série. Academia Arcana tem a função de apresentar esse universo, estabelecer conflitos e posicionar as peças para os próximos volumes. O final deixa espaço para desdobramentos interessantes e me fez terminar o livro com vontade de saber para onde a história seguirá.

“Não importa quão escura seja a noite, me recuso a não ter esperança do amanhecer.

No geral, foi uma leitura que gostei mais pela construção do mundo e pelas possibilidades futuras do que pelos personagens em si. Não entrou para minhas fantasias favoritas, mas também passou longe de ser uma decepção. Acho até que esse livro pode subir no meu conceito dependendo do que venha na sequência. Para quem gosta de academias mágicas, intrigas políticas, magia baseada em cartas e romances lentos, vai encontrar aqui uma leitura bastante agradável.

3,5/5 

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