Antes de ser Rosalie Cullen, Nikki Reed escreveu um filme indicado ao Oscar aos 15 anos
Quando pensamos em Nikki Reed, a maioria das pessoas lembra imediatamente de Rosalie Cullen, a vampira mais intimidadora da família Cullen em Crepúsculo...
...mas muito antes de fazer parte de uma das maiores franquias da cultura pop dos anos 2000, Nikki já havia realizado algo que poucos roteiristas conseguem em toda uma carreira: ela escreveu um filme aclamado pela crítica quando tinha apenas 15 anos. E o mais impressionante é que a história nasceu da própria vida dela.
Uma adolescência turbulenta longe de Hollywood
Hoje Nikki Reed costuma ser lembrada por sua carreira no cinema e pelo casamento com Ian Somerhalder, mas sua adolescência esteve longe da imagem tradicional de uma jovem estrela de Hollywood.
Filha de uma cabeleireira e de um designer de cenários, Nikki passou por um período particularmente difícil durante a adolescência. Em entrevistas posteriores, ela contou que começou a se envolver com grupos que preocupavam sua família, enfrentou conflitos em casa e acabou se afastando da mãe durante algum tempo. Ela tinha apenas 13 anos quando decidiu sair da casa da família para viver de forma mais independente, uma experiência que mais tarde serviria de inspiração para seu trabalho mais importante. Foi nesse contexto que surgiu uma figura fundamental em sua trajetória: Catherine Hardwicke.
O conselho que mudou tudo
Antes de dirigir Crepúsculo, Catherine Hardwicke já era uma profissional respeitada em Hollywood, atuando principalmente como diretora de arte e designer de produção em filmes como Os Reis de Dogtown e Vanilla Sky. Mas sua ligação com Nikki era muito mais pessoal. Hardwicke era amiga da mãe da adolescente e acompanhava de perto as dificuldades que ela enfrentava. Em vez de ignorar aquela fase complicada, a cineasta enxergou algo que poucos adultos haviam percebido: Nikki tinha histórias importantes para contar. Segundo relatos das duas, Catherine sugeriu que a jovem começasse a escrever sobre suas experiências. O que parecia apenas um exercício criativo acabaria se transformando em um filme elogiado.
Nikki Reed tinha apenas 15 anos quando ela e Catherine Hardwicke começaram a transformar suas experiências pessoais em um roteiro. O processo aconteceu de forma surpreendentemente rápida: durante cerca de seis dias intensos de trabalho, as duas desenvolveram a história de Aos Treze (Thirteen), um drama que explorava temas como pressão social, drogas, sexualidade, automutilação, rebeldia adolescente e a busca desesperada por pertencimento.
A maior parte dos eventos retratados era inspirada em situações que Nikki havia presenciado ou vivido durante sua própria adolescência. O resultado foi um roteiro brutalmente honesto. Num período em que muitos filmes adolescentes apostavam em romances leves e comédias escolares, Aos Treze apresentava uma realidade muito mais desconfortável e justamente por isso chamou tanta atenção.
O filme dividiu opiniões e conquistou a crítica
Lançado em 2003, Aos Treze rapidamente se tornou um dos filmes mais comentados daquele ano. A produção foi elogiada pela maneira crua e realista com que retratava a adolescência feminina, algo ainda relativamente raro em Hollywood. O longa também gerou debates intensos entre pais, educadores e críticos, justamente porque não tentava suavizar os comportamentos autodestrutivos das protagonistas. A recepção crítica foi extremamente positiva. Catherine Hardwicke recebeu diversos prêmios por sua direção e o filme conquistou uma indicação ao Oscar para Holly Hunter, que interpretava a mãe da protagonista. Para uma jovem de apenas 15 anos, já seria impressionante participar de um projeto desse porte, mas Nikki Reed foi além e também estrelou o filme. Ela interpretou Evie, a adolescente carismática e problemática que influencia profundamente a protagonista Tracy, vivida por Evan Rachel Wood.
Muitos críticos destacaram a autenticidade de sua performance, algo que fazia sentido considerando o quanto a personagem estava conectada às experiências reais que inspiraram o roteiro. De repente, uma adolescente praticamente desconhecida se tornou um dos nomes mais comentados do cinema independente americano. Tudo isso antes mesmo de completar 16 anos.
O reencontro em Crepúsculo
Se a história terminasse aí, já seria impressionante, mas o destino ainda reservaria mais um capítulo curioso para a dupla. Alguns anos depois, a escritora Stephenie Meyer viu seu fenômeno literário chegar aos cinemas quando Crepúsculo entrou em produção. Para dirigir a adaptação, o estúdio escolheu justamente Catherine Hardwicke, uma diretora que queria apostar na atmosfera intimista e meio indie da saga. Quando chegou o momento de escalar o elenco, a diretora voltou a trabalhar com uma pessoa em quem já confiava completamente: Nikki Reed. E assim ela se tornou nossa loira perfeita e raivosa.
O legado de uma adolescente que transformou a própria dor em arte
Em vez de esconder experiências difíceis ou fingir que elas nunca existiram, Nikki e Catherine Hardwicke transformaram aquele período turbulento da vida de Nikki em uma obra que continua sendo discutida mais de duas décadas depois. Aos Treze permanece como um dos retratos mais intensos e controversos da adolescência já produzidos por Hollywood.
Às vezes, a diferença entre uma crise e uma grande história é apenas alguém disposto a ouvir.



0 comments