Temporada de arrepios: Travessuras gostosas - Ali Hazelwood, Ruby Dixon e colaboradoras
Travessuras ou Gostosuras:
monstros, romance e algumas surpresas
Eu adoro coletâneas de contos quando elas permitem conhecer diferentes estilos de escrita e experimentar histórias que talvez eu não procurasse individualmente. Foi assim que conheci muitas autoras de romance de época. E Travessuras ou Gostosuras tem uma proposta bem divertida: reunir seis autoras de romance para contar histórias envolvendo vampiros, demônios, criaturas sobrenaturais e outras figuras que combinam com o imaginário de Halloween. É basicamente uma reunião de monster romances, com direito a bastante sensualidade e algumas situações bem inusitadas.
Mas já adianto que gostei de algumas histórias muito mais do que de outras. E a que eu esperava ser a mais esquisita não foi a campeã real. E preciso mencionar que adorei a tradução do títulos que brincou com o meme do ''pare com essas brincadeiras gostosas'' e o bordão do Halloween (arrasou Arqueiro!).
O primeiro conto, da Ali Hazelwood, tem aquele charme que já conhecemos da autora. A história acompanha uma vampira que passou séculos sendo perseguida por um caçador e que, de repente, se vê numa situação bastante conveniente: ele sofre um acidente, perde a memória e parece completamente apaixonado por ela. As tentativas de Ethel de contornar a situação são divertidas, e gostei das lembranças dos encontros anteriores entre os dois. Só achei que a história demorou um pouco para decolar. Diferentemente das novelas mais longas da Ali, que costumam me prender logo nas primeiras páginas, aqui não consegui criar tanta empatia pelos protagonistas. Ainda assim, gostei da reviravolta e foi uma leitura agradável. 3,5 estrelas.
O conto da Christina Lauren foi outro que me divertiu. Cat vai a uma festa de Halloween com o namorado, que logo a abandona para fazer outras coisas, até chamar a atenção de Brigan, um imortal caído cuja habilidade de seduzir qualquer pessoa parece simplesmente não funcionar com ela. A partir daí, os dois começam a tentar entender essa conexão tão inesperada. Não achei que a história aproveitou tanto o clima de Halloween, mas tem aquela combinação de humor, romance e diálogos gostosos que costuma funcionar muito bem nas obras da dupla. É curtinha, divertida e entrega exatamente o tipo de entretenimento que eu esperava. 3,5 estrelas.
Já o conto da J. T. Geissinger foi o que mais conseguiu trazer uma atmosfera de Halloween propriamente dita. E não fiquei surpresa, considerando que estamos falando da autora de Blackthorn e da série Rainhas & Monstros. Quem conhece suas histórias sabe que ela gosta de trabalhar com romances mais sombrios, personagens perigosos e uma atmosfera que combina muito bem com essa época do ano. Aqui temos uma jornalista investigando lendas sobrenaturais em Nova Orleans e um tatuador misterioso envolvido numa maldição familiar. A história é interessante, tem uma boa dose de mistério e gostei da dinâmica entre os protagonistas, embora não tenha achado o casal particularmente carismático. Ainda assim, foi uma boa leitura e provavelmente a que mais entregou o lado assustador da coletânea. 3,5 estrelas.
Agora, confesso que achava que a história da Ruby Dixon fosse a mais extravagante no quesito monster romance. Afinal, estamos falando da dona e proprietária dos aliens azuis gostosões! 😂 Mas acabou que a história da Kimberly Lemming conseguiu ser muito mais esquisita. Em Amor e sangue no espaço uma humana que foi abduzida e mantida como animal de estimação por alienígenas acaba sozinha numa estação espacial com uma criatura geneticamente modificada que eles não conseguem controlar. Ela resolve fazer uma aliança com o vampiro espacial, que recebe o nome bastante ''original'' de Vlad. Gostei muito mais do que esperava! A história tem começo, desenvolvimento e conclusão bem amarradinhos, a relação entre os personagens funciona e a criatura vai aprendendo sobre o mundo através dela. Foi uma das experiências mais satisfatórias da coletânea. 4 estrelas.
Já a história da Katee Robert foi exatamente o que eu esperava que o conto da Ali Hazelwood fosse. Doce pesadelo acompanha Gemma, uma demônia em treinamento que não está conseguindo cumprir suas tarefas de assustar humanos. Para piorar, recebeu um poder considerado bastante medíocre e está na sua última oportunidade de provar que consegue fazer o trabalho. Só que sua primeira missão acaba tomando um rumo bem diferente do planejado quando ela conhece Caleb. Achei a história muito carismática, divertida e diferente. Adorei acompanhar o romance pelo ponto de vista de uma criatura que deveria ser assustadora, mas que acaba sendo uma personagem adorável. É quase uma subversão do próprio conceito de monster romance, e justamente por isso foi uma das minhas favoritas. 4 estrelas.
Infelizmente, não posso dizer o mesmo de Só namoro monstros, da Kimberly Lemming. Lucy é abandonada pelo namorado durante uma trilha e acaba chegando a uma cidade bastante peculiar, onde vários homens atraentes parecem interessados nela. O problema é que um antigo metamorfo também está de olho na protagonista e tem planos próprios para ela. A premissa é criativa, tem humor e uma situação bastante absurda envolvendo criaturas sobrenaturais, mas não funcionou comigo. Achei tudo esquisito demais, especialmente quando os romances começam a se desenvolver. Não consegui entrar na proposta e minha experiência acabou sendo meio sem graça. A criatividade da autora é grande, mas não foi para mim. 2,5 estrelas.
Travessuras ou Gostosuras foi uma coletânea divertida, mas bem irregular. Mesmo que todas as histórias mencioassem Halloween, senti que algumas estavam muito mais interessadas em explorar a ideia de que monstros também podem ser sensuais do que realmente construir uma atmosfera assustadora. É uma leitura interessante para quem gosta de romances sobrenaturais e quer experimentar diferentes autoras sem precisar se comprometer com livros longos.
A experiência geral foi positiva, a variedade de propostas torna a coletânea uma leitura descontraída para quem gosta de monster romance e não tem medo de encontrar umas coisas bem fora da caixinha.

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