CRÍTICA: A EMPREGADA (FILME)
‘’A empregada’’ vem como mais um exemplo de que é só usar o material do livro, que dá tudo certo.
Ele não é a melhor coisa já feito no suspense, mas o livro da Freida McFadden tomou de assalto as prateleiras dos leitores nos últimos anos. É fácil saber o porquê disso: uma história com uma fórmula utilizada corretamente e abordando um tema importante não tinha como dar errado.
E a adaptação seguiu o roteito direitinho, entendendo o ponto forte da trama:
dicotomia entre as mulheres.
O elenco com certeza ajudou na entrega do conteúdo, mas a trama em si já vencia. Reviravoltas (claras ao leitor do gênero, mas efetivas) e duas mulheres sendo contrapostas e oprimidas pela bolha freudiana dos ‘’nascidos ricos’’ não tinha como não entreter.
O maior trunfo do longa é a Amanda Seyfried. Para o espanto de ninguém.
A veterana consegue passar as emoções e confundir o espectador com muita eficiência, sem nunca tirar o carisma da personagem. No cinema ouvia-se ‘’mat4 os dois!’’ logo depois dos surtos da personagem. Quer prova maior que a atriz conquistou a audiência? Ela errava e as pessoas passavam pano.
No fim, a receita era de sucesso e a equipe entregou mais do que pedimos.
O visual é menos claustrofóbico do que no livro, mas a fotografia é deslumbrante, os figurinos dão o tom de cada personagem e as atuações fizeram cada cena ganhar a vida do jeitinho que esperávamos, so que teve um bônus: a trilha sonora totalmente personagem de cada interação. Inclusive a dos créditos.
Mas nem só de acertos vivem as adaptações (muito pelo contrário)
Já no trecho final, algumas coisas são apressadas e partes importantes do livro são deixadas de lado em prol da ação (que cineastas quase sempre acham que precisa), tirando o foco do clima angustiante e sufocante das reviravoltas finais do livro. Inclusive deixando completamente de lado as funções de alguns personagens que já nem eram tão importantes assim (cof, Enzo).
No fim, o saldo foi positivo.
Tenho a impressão que Paul Feig seguiu um caminho autodepreciativo e debochado (algo no tom de Um pequeno favor), que combinou com o tom dos personagens da adaptação. Poderia ser um texto mais audacioso? Sim, se seguisse à risca a intenção da autora, mas o tanto que usou, usou bem para garantir o entretenimento de quem pagou o ingresso. O filme engaja, diverte e provoca. E, afinal, não foi isso que procuramos?

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