Resenha: Sem chance de adeus - Reese Whisterspoon & Harlan Coben
Sinopse
Maggie McCabe era uma cirurgiã militar brilhante acostumada a atuar em zonas de guerra até que uma sequência de tragédias destrói sua carreira e a deixa completamente sem rumo. Quando recebe a proposta de realizar uma cirurgia secreta para clientes bilionários que exigem discrição absoluta, ela aceita achando que seria apenas mais um trabalho extremo. Mas, depois que o paciente desaparece misteriosamente ainda sob seus cuidados, Maggie se vê presa em uma trama internacional de paranoia, segredos e perseguições, precisando fugir antes que seja a próxima pessoa a sumir sem deixar rastros.
Opinião
A história começa muito bem. Um médico humanitário é assassinado logo na abertura e acompanhamos a esposa dele, Maggie McCabe, uma cirurgiã militar extremamente competente que claramente está afundando emocionalmente após uma sequência de tragédias pessoais e profissionais. O interessante é que, no início, o livro brinca com a nossa percepção sobre o luto dela. Você não entende direito se Maggie aceitou a morte do marido, se está em negação ou se existe alguma coisa muito errada acontecendo naquela narrativa.E essa parte funciona.
“Quando você está perto da morte, é quando você se sente mais vivo.”
A atmosfera inicial tem um tom de suspense psicológico bem interessante, principalmente porque o livro parece sugerir várias possibilidades ao mesmo tempo. Aí entra toda a trama envolvendo a ONG onde eles trabalhavam, os atendimentos em zonas de guerra, os segredos do marido e essa missão absurdamente suspeita na Rússia envolvendo um paciente bilionário que praticamente vive escondido do mundo. Só que quanto mais a história avança, mais rasa ela vai ficando.
O maior problema de Sem Chance de Adeus é que ele parece um thriller montado em cima de ideias legais, mas sem profundidade suficiente para sustentar tudo o que propõe. Os personagens são unidimensionais. Não existe ninguém memorável ali. Sabe aquele personagem que aparece e você já consegue prever exatamente qual será a função dele na trama? Foi minha sensação praticamente o livro inteiro. Quando surgiu o típico “motoqueiro durão” eu imediatamente pensei: “ok, esse cara vai resolver as paradas mais pesadas”. E foi, né?
A Maggie até tinha potencial para ser uma protagonista ótima. Ela carrega traumas, culpa, impulsividade, tem um histórico nas forças armadas… mas quase nada disso é utilizado. O livro cita muito mais do que desenvolve. Em vários momentos senti que os personagens existiam apenas para movimentar a trama até a próxima revelação. Falando nisso, quase tudo é previsível.
"Isso é o que nós, humanos estúpidos, fazemos. Carregamos as sementes da nossa própria autodestruição."
O problema nem é exatamente descobrir as reviravoltas antes do livro revelar. Suspenses podem continuar ótimos mesmo quando você percebe o caminho da narrativa. O que me incomodou foi a forma simplificada como tudo é tratado. Tem momentos envolvendo tráfico de órgãos, acesso ao círculo de bilionários, segurança internacional e operações clandestinas que parecem saídos de uma versão ''série adolescente'' desses assuntos. Faltou pesquisa, faltou complexidade e principalmente faltou verossimilhança. Algumas soluções são tão fáceis que quebram completamente a tensão. Isso é péssimo para um thriller que depende justamente da sensação de perigo constante.
Só que, mesmo com todos esses problemas, o livro ainda conseguiu me prender. Eu li rápido. Queria entender onde aquilo tudo ia dar. Existe um ritmo de leitura muito fluido e a narrativa constantemente joga novas informações para manter o leitor curioso. Então não foi uma leitura sofrível no sentido de ser impossível continuar. Foi mais aquela sensação de estar lendo algo que claramente poderia ser MUITO melhor do que realmente é.
Esse livro me pareceu ter sido escrito para virar roteiro de filme. Tenho certeza que um bom roteirista e um diretor competente vão introduzir a sensação de perigo que falta por aqui... e ninguém vai se importar com a falta de profundidade numa ação de 90 minutos.
Sem Chance de Adeus foi uma leitura ok para mim. Não achei horrível como algumas pessoas acharam, mas também não vi nada de particularmente marcante além da premissa. Dei 3 estrelas muito mais porque o livro conseguiu manter minha atenção até o final do que pela execução da trama em si. É aquele suspense que você lê rápido, comenta algumas incoerências durante a leitura, mas provavelmente não vai lembrar de muita coisa alguns meses depois.
⭐⭐⭐/5

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