Resenha: A Herança de Agneta - Corina Bomann
Sinopse
Agneta Lejongård abandonou os privilégios da aristocracia sueca para estudar arte em Estocolmo e participar do movimento sufragista, determinada a construir uma vida longe das tradições de sua família. Mas uma tragédia inesperada a obriga a retornar ao Solar dos Leões e assumir responsabilidades para as quais nunca se preparou. Dividida entre seus ideais de liberdade e as obrigações de sua posição social, Agneta precisará enfrentar conflitos familiares, antigos ressentimentos e as limitações impostas às mulheres numa sociedade que começa a se transformar.
Opinião
Eu adoro sagas familiares, principalmente as que acompanham diferentes gerações de mulheres e mostram como suas vidas foram influenciadas pelas mudanças sociais de cada época. Então ''A Herança de Agneta'' chamou minha atenção logo pela premissa: uma jovem aristocrata que abandona os privilégios da família para estudar arte, participa do movimento sufragista e precisa retornar à propriedade dos pais por causa de uma tragédia? Ainda por cima na Suécia do início do século XX? Tinha tudo para ser uma história muito interessante. Só que eu esperava algo diferente do que recebi.
Agneta Lejongård é filha de condes, mas não quer seguir o futuro que sua família planejou. Enquanto seus pais esperam que ela se case com alguém de sua posição social, Agneta prefere viver em Estocolmo, estudar arte e participar das manifestações pelos direitos das mulheres. Só que uma tragédia familiar a obriga a voltar para o Solar dos Leões e assumir responsabilidades para as quais nunca se preparou.
A premissa é boa, e gostei especialmente de conhecer um pouco da aristocracia sueca e das transformações que começavam a acontecer naquele período. O problema é que, conforme a história avançava, percebi que não estava gostando tanto assim de acompanhar a protagonista.
Agneta é uma personagem difícil de simpatizar. Não porque seja independente, questionadora ou tenha dificuldades para aceitar a vida que lhe foi imposta. Pelo contrário, esses são justamente os aspectos que poderiam torná-la interessante. O que me incomodou foi a maneira como ela reage a praticamente tudo. Existem situações realmente complicadas, principalmente considerando a época em que vive, mas às vezes Agneta faz parecer que qualquer contratempo é o fim do mundo. E chega uma hora em que esse comportamento cansa.
Acho que um dos maiores problemas é que eu fui ler achando que era seria parecida com a Jakobe de ''Um homem de sorte'' (o filme dinamarquês de 2018, não a adaptação de Nicholas Sparks com o Zac Efron). A Jakobe meio que faz o caminho inverso da Agneta e como eu tenho ela como uma das minhas maiores referências de personagens femininas dos dramas históricos, tive expectativas enormes.
Além de tudo, também achei que existe uma contradição entre a mulher decidida que conhecemos no começo e algumas atitudes que ela toma ao longo da história. Agneta luta tanto para conquistar sua independência, mas em determinadas situações parece agir sem pensar nas consequências, especialmente quando o assunto envolve seus relacionamentos. Não espero personagens perfeitos, muito menos protagonistas que acertem sempre, mas gosto de entender as motivações por trás de suas escolhas. Aqui, algumas mudanças acontecem tão rapidamente que tive dificuldade de acompanhar seus sentimentos.
E isso acabou prejudicando também os romances. Não achei que os relacionamentos receberam desenvolvimento suficiente para que eu me envolvesse de verdade. Em alguns momentos, parecia que a autora estava mais interessada em fazer a história avançar do que em mostrar como aqueles sentimentos foram construídos. Para um livro que dedica bastante espaço à vida pessoal da protagonista, senti falta justamente dessa conexão. E, claro, eu sou uma abestalhada por cenas românticas. Queria um pouco mais.
Já a relação entre Agneta e sua mãe foi uma das partes que mais gostei. As duas possuem visões muito diferentes sobre o papel da mulher e sobre as obrigações familiares, e é interessante perceber como essas diferenças influenciam a maneira como se tratam. A mãe de Agneta passou a vida seguindo determinadas regras, enquanto a filha deseja romper com todas elas. Acho que esse conflito poderia ter sido ainda mais explorado, porque havia bastante coisa interessante para discutir ali. Acho que numa adaptação desse livro, a relação delas seria o ponto forte.
Outra questão que tive é que eu esperava encontrar mais sobre o contexto histórico. O movimento sufragista sueco, as diferenças entre as classes sociais e a própria administração do Solar dos Leões poderiam ter recebido mais atenção. Agneta assume uma propriedade importante, com funcionários e criação de cavalos, mas a narrativa acaba priorizando seus dramas pessoais. E como nem sempre tive paciência com esses dramas, confesso que senti ainda mais falta das outras tramas.
Apesar disso, não foi uma leitura ruim. A escrita da Corina Bomann é bastante acessível, a história flui bem e o universo apresentado tem potencial para render uma saga familiar interessante. Gostei da ambientação e de conhecer uma sociedade que não costuma aparecer tanto nos romances históricos que leio. Só queria que a protagonista fosse um pouco menos cansativa e que a autora tivesse aproveitado melhor os acontecimentos ao redor dela.
⭐⭐⭐

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