Resenha: A correspondente - Virginia Evans

by - domingo, outubro 18, 2026

 A correspondente  - Virginia Evans 

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Sinopse

Aos 72 anos, Sybil Van Antwerp leva uma vida independente e mantém o hábito de escrever cartas para familiares, amigos, escritores e até desconhecidos. Por meio dessas correspondências, acompanhamos suas relações, seus conflitos e os acontecimentos do passado que ainda influenciam sua vida. Mas, quando recebe a notícia de que poderá perder gradualmente a visão, Sybil precisa enfrentar mudanças que ameaçam sua autonomia e a obrigam a reconsiderar os laços que construiu, os erros que cometeu e aquilo que ainda deseja viver.

Opinião

Lembre-se: as palavras, especialmente as escritas, são imortais.

Sabe aquele livro que você termina e reconhece que tem uma história importante, mas que não foi exatamente uma experiência prazerosa de leitura? Foi assim que me senti com A Correspondente. Eu entendo perfeitamente por que tanta gente se emocionou com essa história, mas, para mim, ela acabou sendo um tanto sem graça. Apesar da proposta ser bem interessante.

A protagonista é Sybil Van Antwerp, uma senhora de 72 anos, independente, inteligente, teimosa e que tem o hábito de escrever cartas para praticamente todo mundo. Familiares, amigos, escritores famosos e até desconhecidos recebem suas correspondências. E é justamente através dessas cartas, e das respostas que recebe, que vamos conhecendo sua vida, seus relacionamentos e alguns acontecimentos do passado que ainda pesam bastante em suas decisões.

Achei interessante a escolha da autora de contar a história inteiramente por correspondências, sem um narrador explicando as coisas para a gente. É aquela do ''romance epistolar'' que tivemos em ''É assim que se perde a guerra do tempo'' (que ganhou os prêmios Hugo, Nebula e Locus). Precisamos juntar as informações e prestar atenção no que Sybil conta, mas principalmente no que ela deixa de contar. Só que, apesar de gostar da ideia, não achei a leitura fluida. Algumas cartas são muito boas, outras parecem não acrescentar quase nada e, em vários momentos, tive que me esforçar para continuar. Não foi daqueles livros que eu ficava ansiosa para retomar, sabe?

A própria Sybil também não facilita muito. Ela pode ser engraçada e carinhosa, mas é bastante orgulhosa, às vezes egoísta e toma decisões que dão vontade de perguntar o que diabos estava passando pela cabeça dela. Eu até gosto de personagens imperfeitos, principalmente quando a história não tenta justificar todos os seus erros, mas não consegui criar uma conexão tão grande com ela. Em alguns momentos, achei difícil ter paciência. Sei que tô sendo mesquinha, já que é uma história da perspectiva de alguém com muita bagagem e a ideia é real passar a sensação de alguém real, mas sei lá... não deveria ter mais carisma envolvido?

“Sei que você me vê apenas como sua mãe, mas, por favor, lembre-se: 
por dentro, também sou apenas uma garota.”

Por outro lado, gostei bastante dos temas que Virginia Evans escolheu trabalhar. A possibilidade de Sybil perder a visão, por exemplo, traz uma discussão interessante sobre envelhecer, perder a independência e precisar aceitar ajuda depois de passar a vida inteira fazendo tudo do próprio jeito. O livro também fala sobre luto, culpa e aquelas coisas que a gente deixa de dizer ou resolver até perceber que talvez não tenha mais tempo. E acho que são justamente essas reflexões que fazem a leitura valer a pena.

O problema é que, para mim, a sensibilidade da história não compensou a falta de ritmo. Entendo a proposta de acompanhar a vida de alguém através de pequenos fragmentos, mas achei que faltou alguma coisa para me envolver de verdade. Existem momentos emocionantes, claro, só que passei boa parte do livro esperando que a narrativa finalmente me conquistasse.

Não achei o livro ruim, mas também não foi uma leitura que me agradou tanto quanto eu esperava. É um livro sensível, com uma temática importante e que vale o esforço para chegar ao final, mesmo que o caminho seja um pouquinho cansativo. Acho que quem gosta de histórias mais intimistas e reflexivas pode aproveitar muito mais do que eu. Só não vá esperando uma leitura rápida e envolvente, porque pelo menos comigo não foi assim. 

P.S: Sinto que vou revisitar essa leitura em alguns anos e perceber coisas que não enxerguei agora. 

⭐⭐⭐/5

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