Cinema: Devoradores de Estrelas é tudo que eu queria e muito mais

by - sábado, março 28, 2026



Se tem uma coisa que Devoradores de Estrelas prova com facilidade é que a ficção científica não precisa ser inacessível pra ser inteligente e talvez seja exatamente esse tipo de filme que ainda falta ser mais valorizado (e produzido).

Baseado no livro homônimo de Andy Weir (mesmo autor de Perdido em Marte), o longa aposta em uma abordagem mais leve e comunicativa do gênero. Em vez de transformar a ciência em um obstáculo, ele faz o oposto: explica, simplifica e usa tudo isso como ferramenta narrativa. Nada de pedantismo ou de tentar parecer “complexo demais”: aqui, a ciência serve à história, e não o contrário. E isso funciona muito bem.

Um protagonista que segura o universo (literalmente)

Grande parte do filme depende exclusivamente de Ryan Gosling e ele dá conta do recado com uma naturalidade impressionante. Sozinho em tela na maior parte do tempo, Gosling equilibra três pilares difíceis: carisma, humor e carga dramática, sem exagerar em nenhum deles. O resultado é um protagonista que não cansa, não pesa e, principalmente, não distancia o público. Pelo contrário: ele aproxima.

Rocky é o coração inesperado da história

Se o filme já funciona bem sozinho, é quando entra Rocky que ele realmente ganha alma. Mesmo não sendo humano, o personagem carrega uma carga emocional absurda e é impossível não se apegar. A relação construída entre os dois personagens transforma completamente o tom da narrativa. De repente, o que poderia ser só mais uma história sobre salvar o mundo vira algo muito mais interessante: uma história sobre conexão. E aqui está o ponto mais forte do filme.

A ficção científica não quer te provar nada

Um dos maiores méritos de Devoradores de Estrelas é entender seu próprio propósito. A ficção científica está presente o tempo todo: bem explicada, coerente e até didática, mas nunca vira exibicionismo intelectual. Não existe aquela sensação de “olha como eu sou inteligente”. Tudo está ali como pano de fundo para algo maior: o companheirismo como ferramenta de sobrevivência.

É mais do que salvar o mundo

Apesar da premissa grandiosa, o filme não tenta ser um drama pesado sobre o fim da humanidade. Ele prefere um caminho mais leve, com humor bem dosado e momentos emocionais que surgem de forma orgânica. E talvez seja justamente isso que o torna tão eficaz. Porque, no fim, Devoradores de Estrelas não é só sobre ciência, espaço ou catástrofes, é sobre como ninguém sobrevive sozinho.

Aos idealizadores de livro e roteiro: muito obrigada. Eu novamente percebo porque esse é meu gênero favorito. 

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