Resenha: Jogo de amor para dois - Ali Hazelwood

by - quarta-feira, maio 13, 2026


Eu vou começar sendo bem honesta: esse livro é exatamente o tipo de leitura que eu indico para quem quer conforto. Quando a pessoa não quer ser surpreendida, nem quando quer algo inovador. Você só quer se sentir bem lendo? É esse o livro. É exatamente isso que Jogo de Amor para Dois me entregou.

A premissa é deliciosa: uma desenvolvedora nerd tendo a chance de trabalhar na adaptação de sua série favorita… junto com o cara que ela acha que odeia ela. Soma isso com um retiro de inverno, neve, isolamento e aquela vibe clássica de “presos juntos”, e pronto, já me ganhou antes mesmo de começar.

Mas aqui vai o ponto: isso NÃO é enemies to lovers.

É aquele clássico trope da Ali Hazelwood que a gente já conhece: o homem completamente apaixonado há anos, que parece distante por pura falta de comunicação. Jesse Andrews é basicamente o pacote completo: inteligente, quieto, apaixonado e… sim, o clichê “geladeira Electrolux duas portas, gostoso e nerd”. Não tem conflito real ali, só desencontro. E, sinceramente? Eu adoro.

A Viola também funciona muito bem nesse contexto. Ela é aquela protagonista fácil de gostar, meio nerd, segura, competente e com quem dá pra se identificar sem esforço. A dinâmica dos dois é gostosa, natural, cheia de química e aí quando eles finalmente engrenam… o livro acaba. E esse é o maior problema aqui.

Dá uma sensação muito clara de que essa história merecia mais espaço. Não porque falta desenvolvimento básico, já que ele existe, mas porque o casal é bom o suficiente pra sustentar algo maior. Quando a relação começa a ficar realmente interessante, mais profunda, mais envolvente… fim. E eu acho que isso tem a ver com a origem do livro.

Ele foi lançado primeiro como audiobook (o que, inclusive, explica o formato mais curto e direto) e só depois ganhou versão escrita. Dá pra sentir que ele foi pensado como uma experiência rápida, quase como um bônus e não como um romance completo dentro do padrão da autora.

Outro ponto: a escrita da Ali continua com aquele tom leve, divertido e cheio de personalidade. Funciona muito bem na leitura, mas no áudio nem sempre tem o mesmo efeito, por causa do estilo mais de diálogos e expressões dela, que são muito ligados ao pensamentos rápidos e debochados da protagonista. Eu indico a leitura e não a escuta. 

Ainda assim, a atmosfera compensa tudo. Tem neve, isolamento, tensão romântica, cenas quentes bem construídas (com consentimento muito claro) e aquela sensação constante de aconchego. É literalmente um livro pra ler enrolada numa manta, tomando alguma coisa quente e sem querer pensar muito.

No fim das contas, é isso: não é inovador, não vai virar favorito absoluto da vida, mas entrega exatamente o que promete. E eu vou reler no Natal, sem dúvidas.

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