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Grazi Comenta

 


Ali Hazelwood não é um nome desconhecido no Brasil há um tempo e já temos livros publicados suficientes para fazer um ranking de respeito, então, do nada, sem motivo algum, decide fazer uma lista com 10 livros da Ali. A lista se baseia na nota média de cada livro nas maiores plataformas de leitores (Goodreads, Skoob e avaliações da Amazon) e um pouquinho de preferência pessoal. Sem mais delongas, vamos à lista:

10. Odeio te amar


9. Noiva

                                                   

8. No fundo é amor


7. Não é amor


6. Jogo de amor para dois




5. Xeque-mate


4. Um amor problemático de verão


3. A razão do amor


2. A hipótese do amor


1. Amor, teoricamente

Como seria a sua lista?
terça-feira, maio 19, 2026 No comments


Sinopse

Quando Mallory Greenleaf abandona o xadrez após um trauma familiar, sua vida passa a girar em torno de sobreviver: trabalhar numa oficina mecânica, pagar contas e cuidar da mãe doente e das irmãs. Mas tudo muda quando ela participa de um torneio beneficente e derrota Nolan Sawyer, o campeão mundial de xadrez — e o garoto prodígio mais famoso do circuito. Enquanto Nolan insiste em continuar jogando contra ela, Mallory tenta fugir do esporte que destruiu sua família… e da atração crescente entre os dois.

Opinião

“Xeque-mate” foi um dos livros mais agradáveis da Ali Hazelwood que li, e talvez seja porque ele não tenta parecer mais inteligente, mais profundo ou mais dramático do que realmente é. Ele entende perfeitamente o tipo de história que quer contar: um romance nerd, divertido, confortável e emocionalmente acessível. Dentro disso, funciona bem.

Depois de alternar entre livros da autora que eu amava e outros que me deixavam completamente cansada das mesmas fórmulas, eu realmente não esperava gostar tanto desse. Ainda mais porque, olhando de longe, parece “mais do mesmo”: protagonista feminina inteligente e socialmente exausta, protagonista masculino absurdamente bonito e emocionalmente obcecado, tensão construída em torno de falhas de comunicação e um nicho extremamente específico servindo de pano de fundo: dessa vez, o xadrez competitivo.

Só que aqui existe um detalhe importante: o livro tem uma energia muito mais leve e juvenil. Ainda bem!

Mallory Greenleaf não está tentando revolucionar a ciência enquanto vive um enemies to lovers corporativo, ela é uma adolescente tentando sobreviver. Trabalha numa oficina mecânica, sustenta a casa, cuida da mãe doente e das irmãs mais novas enquanto carrega um ressentimento enorme pelo xadrez e pelo próprio pai (algo que a gente vai entendendo aos poucos). O xadrez é um esporte que ela associa diretamente à destruição da própria família. Então quando ela derrota Nolan Sawyer (o atual campeão mundial) num torneio beneficente aleatório, o livro começa de verdade (e acontece logo nos primeiros capítulos).

O Nolan é exatamente aquele tipo de personagem que a Ali Hazelwood escreve tranquilamente porque ela SABE que funciona. Ele é lindo, alto em níveis quase sobrenaturais, meio fechado, direto e completamente encantado pela protagonista desde o primeiro segundo. Só que diferente de outros protagonistas masculinos da autora, aqui ele parece menos idealizado e mais divertido. O humor seco dele funciona muito bem e a dinâmica entre os dois cresce de forma gostosa justamente porque nasce de algo simples: eles genuinamente gostam de passar tempo juntos. Eles compartilham um gosto peculiar. 

Também gostei bastante do fato do livro conseguir inserir o universo do xadrez de maneira acessível. Eu não entendo absolutamente nada de xadrez além do movimento básico das peças e ainda assim fiquei envolvida pelas competições, pelos torneios, pela pressão do circuito profissional e pela forma como o esporte é tratado quase como uma linguagem emocional entre os personagens e meio que um arquiteto da personalidade deles. O livro entende que o leitor não precisa virar especialista para sentir tensão durante uma partida.

E acho que isso resume bem a experiência de leitura: Xeque-mate é muito mais sobre pessoas emocionalmente quebradas tentando se entender do que sobre xadrez em si.

A Mallory especificamente funciona melhor do que várias protagonistas anteriores da Ali porque o livro permite que ela seja desagradável às vezes (e as pessoas reagem a ela sendo desagradável, sem ficar passando pano). Ela é defensiva, impulsiva, desconfiada e irritante, mas faz sentido. Existe uma exaustão acumulada nela que torna suas reações compreensíveis. Dá vontade de sacodir ela, mas entende de onde aquilo vem. O problema é que o livro exagera muito na dinâmica familiar dela.

A doença da mãe é tratada como algo incapacitante a ponto da Mallory praticamente assumir o papel materno dentro da casa, enquanto as irmãs agem com um nível de ingratidão e alienação que parece artificial só para reforçar o sofrimento da protagonista. Em muitos momentos, os diálogos familiares não soam naturais: parecem construídos apenas para fazer Mallory carregar o peso emocional da história inteira sozinha. E quando acontece a virada emocional perto do final, ela surge rápida demais e inconsistente com o comportamento que vimos durante o resto do livro.

Ainda assim, o romance sustenta muito bem a narrativa. Nolan e Mallory funcionam porque compartilham feridas parecidas. Existe uma identificação silenciosa entre eles que deixa tudo mais convincente. E gosto que o livro não tenta transformar o Nolan num “bad boy” de verdade, apesar de ser apresentado como um jogador esquentadinho. No livro ele é só um nerd absurdamente apaixonado tentando apoiar alguém que admira e reconquistando o gosto pelo seu hobby por causa do desafio que a Mallory traz a ele.

No fim das contas, Xeque-mate não é um livro revolucionário. Não vai mudar a vida de ninguém, não reinventa romance e nem tenta fazer isso. E é por isso que eu gostei. 

4/5 ⭐


sexta-feira, maio 15, 2026 No comments


Eu vou começar sendo bem honesta: esse livro é exatamente o tipo de leitura que eu indico para quem quer conforto. Nem quando a pessoa quer ser surpreendida, nem quando quer algo inovador. Você só quer se sentir bem lendo? É esse o livro. É exatamente isso que Jogo de Amor para Dois me entregou.

A premissa é deliciosa: uma desenvolvedora nerd tendo a chance de trabalhar na adaptação de sua série favorita… junto com o cara que ela acha que odeia ela. Soma isso com um retiro de inverno, neve, isolamento e aquela vibe clássica de “presos juntos”, e pronto, já me ganhou antes mesmo de começar.

Mas aqui vai o ponto: isso NÃO é enemies to lovers.

É aquele clássico trope da Ali Hazelwood que a gente já conhece: o homem completamente apaixonado há anos, que parece distante por pura falta de comunicação. Jesse Andrews é basicamente o pacote completo: inteligente, quieto, apaixonado e… sim, o clichê “geladeira Electrolux duas portas, gostoso e nerd”. Não tem conflito real ali, só desencontro. E, sinceramente? Eu adoro.

A Viola também me ganhou. Ela é aquela protagonista fácil de gostar, meio nerd, segura, competente e com quem dá pra se identificar sem esforço. A dinâmica dos dois é gostosa, natural, cheia de química e aí quando eles finalmente engrenam… o livro acaba. E esse é o maior problema aqui.

Dá uma sensação muito clara de que essa história merecia mais espaço. Não porque falta desenvolvimento básico, já que ele existe, mas porque o casal é bom o suficiente pra sustentar algo maior. Quando a relação começa a ficar realmente interessante, mais profunda, mais envolvente… fim. E eu acho que isso tem a ver com a origem do livro.

Ele foi lançado primeiro como audiobook (o que, inclusive, explica o formato mais curto e direto) e só depois ganhou versão escrita. Dá pra sentir que ele foi pensado como uma experiência rápida, quase como um bônus e não como um romance completo dentro do padrão da autora.

Outro ponto: a escrita da Ali continua com aquele tom leve, divertido e cheio de personalidade. Funciona muito bem na leitura, mas no áudio nem sempre tem o mesmo efeito, por causa do estilo mais de diálogos e expressões dela, que são muito ligados ao pensamentos rápidos e debochados da protagonista. Eu indico a leitura e não a escuta. 

Ainda assim, a atmosfera compensa tudo. Tem neve, isolamento, tensão romântica, cenas quentes bem construídas (com consentimento muito claro) e aquela sensação constante de aconchego. É literalmente um livro pra ler enrolada numa manta, tomando alguma coisa quente e sem querer pensar muito.

No fim das contas, é isso: não é inovador, não vai virar favorito absoluto da vida, mas entrega exatamente o que promete. E eu vou reler no Natal, sem dúvidas.

quarta-feira, maio 13, 2026 No comments
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